Anacã Cia de Dança apresenta EleEla no Teatro Municipal de Santo André

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Foto: Tomas Kolish

Em cena, a coreografia EleEla subverte logo de início: é a mulher que nasce do homem em um espetáculo que versa sobre o amor; em cena, um pas de deux ao som de um solo de sax, com movimentos repletos de jazz.

Se a Anacã Cia de Dança está engatinhando em seus primeiros passos – EleEla é seu segundo trabalho, o primeiro foi Principiar em junho de 2013 – seus dirigentes, juntos, somam mais de sete décadas de trajetória profissional dedicada à dança. Não é pouco. Com direção do coreógrafo Edy Wilson e direção geral de Helô Gouvêa, EleEla coloca o jazz no foco e o resultado pode ser visto no espetáculo que a companhia apresenta dias 30 e 31 de julho de 2016, no Teatro Municipal de Santo André (Pça IV Centenário, Centro, Santo André), grátis. As apresentações com entrada franca fazem parte do Projeto de Circulação Estadual do espetáculo “EleEla”, com incentivo da Lei Rouanet e patrocínio do Banco Itaú.

Para falar de amor, Edy inicia o espetáculo subvertendo a ciência: é a mulher que nasce do homem, e não o contrário. Daí, surgem as cenas que permeiam o espetáculo sobre o amor ideal e da (falsa) ideia do príncipe/princesa encantado (a) que bate à porta. A partir de um conto de Moisés Vasconcelos, Edy Wilson criou 11 cenas acerca da diversidade de elos estabelecidos entre os gêneros masculino e feminino, em como cada um conceitua o amor. Para concretizar a ideia no palco, Edy convidou Úrsula Félix para criar o figurino, Raquel Balekian para a luz, Divanir Gattamorta na música e Lucas Simões na cenografia.

A companhia, desde a estreia em 2015 no Teatro Alfa, em São Paulo, já percorreu duas cidades, Santos e Jundiaí, e até final de outubro estará em Santo André, Jacareí, Americana, Bauru, São José do Rio Preto, Araraquara e Praia Grande.

Sobre EleEla

Logo de início, o coreógrafo apresenta sete casais para representar um nascimento às avessas: em vez de ser da mulher que nasce o homem, é do homem que nasce a mulher – uma alusão ao mito de Adão e Eva, que inaugura as possibilidades de relação entre homens e mulheres. Na visão de Edy Wilson, a atração é o que norteia desde o princípio esses dois indivíduos.

Existe um homem ou mulher ideal para cada pessoa? O coreógrafo quer desconstruir a ideia do príncipe encantado que bate à porta. Do jogo de sedução às promessas de amor eterno, dos olhares ao desejo, da Cinderela às farras amorosas e sexuais; todas essas fases são atravessadas pelo amor, pelo arroubo do sentimento, mas vividas e sentidas diferentemente por cada um dos gêneros. “A ideia do ‘príncipe’ ou ‘princesa’ ainda é atual para muita gente. Existe um homem/mulher ideal na cabeça das pessoas, mas as buscas por essa metade idealizada frustram, porque não se concretiza nunca”, explica o coreógrafo.

“Todos eles sentem o mesmo desejo, mas com intensidades diferentes. Quero mostrar outras nuances de atitudes de desejo”, diz Edy Wilson. O início do espetáculo também apresenta o vocabulário de movimentos com os quais vai trabalhar dali em diante, como a dança jazz sendo pontuada em meio à construção de uma cena absolutamente contemporânea.

A partir daí o coreógrafo passeia por diferentes formações, entre solos, duos e trios e, especialmente, conjuntos para explorar temas como a dualidade entre homem e mulher, os jogos de sedução entre essas duas figuras, a sensualidade, a ilusão e a ingenuidade do amor romântico. “Dessa vez irei para outra estrutura, diferente do que ocorreu em Principiar onde há mais solos duos, trios… Agora construirei as cenas com mais conjuntos”, explica.

O figurino desenvolvido por Úrsula Félix se alinha com essa concepção. Por mais de dez anos ela atuou como diretora criativa do ateliê de Tânia Agra, que, além de sua mãe, é uma das mais conceituadas figurinistas de trajes de balé clássico do país. Para EleEla, Úrsula desenvolve um design que migra gradualmente, a cada cena, de tons terrosos para tons quentes, com destaque para os sapatos de salto que as bailarinas ostentam nos pés – um ícone jazzístico por excelência.

Conhecido por seu trabalho na criação de músicas voltadas para dança contemporânea, o músico Divanir Gattamorta, do Departamento de Artes Corporais da Unicamp, se arrisca pela primeira vez na composição para uma obra de dança jazz. Ao misturar influências, ele trilha um caminho nada óbvio para o gênero, desafiando o ouvido dos bailarinos, convocados por Edy Wilson a imprimirem suas individualidades em cada movimento.

FICHA TÉCNICA

Direção Executiva: Ana Maria Diniz
Direção Geral: Helô Gouvêa
Direção Artística e Coreografia: Edy Wilson De Rossi
Maitre de Ballet: Eduardo Bonnis
Trilha Sonora: Divan Gattamorta
Designer de Luz e Direção Técnica: Raquel Balekian
Cenografia: Lucas Simões
Figurinos: Ursula Felix
Texto: Bruna Martins
Fotos: Ronaldo Winter Caracas e Tomas Kolish
Designer Gráfico: Charles Camargo
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Coordenação de Projetos: Ponto de Produção
Produção: Elinah Jacqueline
Elenco: Allan Marcelino, Alexssandro Silva – Bruno de Paiva, Carolina de Sá – Camila Carolina – Daniela Correa – Jéssica Fadul – Jonatha Martins – Karine Miranda – Letícia Alfenas – Lucas Martinelli – Michael Martins – Rafael Luz – Rafael Trevisan – Thaynara Gomes.
Patrocínio: Banco Itaú / Ministério da Cultura
Apoio: Estúdio Anacã, Só Dança e Balletto

SERVIÇO

EleEla
Anacã Cia. de Dança
Dias 30 e 31 de julho de 2016
Sábado, às 20h e domingo, às 18h
Local: Teatro Municipal de Santo André – Antônio Houassis
Praça IV Centenário – Centro – Santo André/SP
Ingresso: Grátis
Informações: (11) 4433-0789
Duração: 60 minutos
Lotação: 475 lugares
Classificação: Livre

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