SPCD apresenta Ateliê de Criação 2026 no CCSP
Crédito da foto: Iari Davies
Cena de ATÔMICO, de Sérgio Galdino
Nos dias 29 e 30 de maio, às 20h, a Companhia apresenta gratuitamente três obras assinadas por coreógrafos brasileiros contemporâneos.
A São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – corpo artístico da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança – realiza duas apresentações gratuitas no CCSP (Centro Cultural São Paulo), na capital. Os espetáculos acontecem nos dias 29 e 30 de maio, às 20h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados nas bilheterias física e digital a partir das 14h do dia anterior a cada apresentação.
O público poderá conferir um programa com três criações brasileiras: Casa Flutuante, de Beatriz Hack, ATÔMICO, de Sérgio Galdino, e play!ground, de Letícia Forattini. As duas últimas integram o Ateliê de Criação, iniciativa da SPCD que seleciona coreógrafos brasileiros via edital e fomenta a pesquisa e a experimentação em dança. O projeto amplia o repertório da Companhia ao incorporar novas perspectivas estéticas e conceituais, fortalecendo o diálogo entre diferentes trajetórias da criação contemporânea no Brasil.
“As obras apresentadas revelam diferentes perspectivas de criação e evidenciam a pluralidade artística presente na São Paulo Companhia de Dança. Entre pesquisa de movimento, sensibilidade e experimentação, os trabalhos aproximam tradição e contemporaneidade, destacando o corpo como território de expressão e invenção. Cada criação amplia o diálogo com o público e reforça a potência da dança como linguagem viva, em constante transformação”, afirma Inês Bogéa, diretora artística da São Paulo Companhia de Dança.
Sobre as obras
ATÔMICO, de Sérgio Galdino, é uma imersão na efervescência cultural nordestina, nascida do universo do maracatu de baque virado e expandida em camadas sonoras que dialogam com a música eletrônica. Essa “fusão atômica” transita entre o manguebeat, o rock sujo, o hip-hop e a pulsação eletrônica, criando conexões entre mundos aparentemente distintos e afirmando a miscigenação entre a tradição cultural brasileira — associada ao imaginário do mangue — e a modernidade musical vinculada às redes e às tecnologias. A trajetória do coreógrafo articula saberes da cultura popular e da dança contemporânea, fazendo com que essas referências se encontrem no corpo em movimento. Aqui, o corpo torna-se antena: capta, absorve e irradia essa contaminação rítmica, traduzindo em gesto a força dessa mistura sonora e cultural — um grito de identidade que é, ao mesmo tempo, moderno e profundamente enraizado na resistência de um povo multicultural.
Já play!ground, de Letícia Forattini, é um território aberto às possibilidades de movimento e ao encontro entre os corpos. Inspirada nas salas de ensaio e nos processos criativos, a obra evoca a liberdade e o não julgamento inerentes à criação — como em um playground. Com sonoridade brasileira, a coreografia celebra a dança contemporânea em diálogo com nossa cultura, entendendo-a como espaço de ritual, encontro, celebração e catarse. A dança é chão — aquele que oferece segurança e, ao mesmo tempo, espaço para voo, expressão e transcendência. Essa abordagem dialoga diretamente com o percurso artístico da coreógrafa, que transita entre o rigor técnico do balé clássico e a liberdade investigativa da dança contemporânea. Em play!ground, essa experiência se traduz em uma escrita coreográfica que valoriza tanto a precisão quanto a escuta do corpo em relação ao outro, ao espaço e ao som, fazendo da cena um campo vivo de relações e descobertas.
Casa Flutuante, criada por Beatriz Hack, revela diferentes conceitos de “casa” e suas impermanências, na cena. Conduzidos por uma trilha sonora eclética, o elenco flutua entre os movimentos propostos pela coreógrafa e desenvolvidos a partir da experiência pessoal de cada um. Os movimentos individuais e de grupo exploram as relações humanas e interpessoais.
Ficha Técnica
Casa Flutuante (2024)
Coreografia: Beatriz Hack
Músicas: Boi no1, Foli Griô Orquestra com Cacau Amaral; Nordavindens Klagesang, de Vàli; Giardini Di Boboli, de Manos Milonakis feat. Jacob David e Grégoire Blanc; Encruzilhada, de Tulio; e Marie, de Cristobal Tapia De Veer – mixagem por Renan Lemos.
Figurinos: Balletto
ATÔMICO (2026)
Coreografia: Sérgio Galdino
Músicas: Femme Fatale, de Travis Lake; Quilombo Groove, de Chico Science; Risoflora; de Chico Science; Subúrbio Soul, de DJ Dolores; Côco Dub, de Chico Science e Lúcio Maia; Samba Makossa, de Chico Science; e Maracatu Atômico, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina.
Figurino: Cássio Brasil
Iluminação: Mirella Brandi
play!ground (2026)
Coreografia: Letícia Forattini
Músicas: Senhor Carangeju, de Xique-Xique; Return to Oneness, de Kev Thompson; Margin, de Abstract Aprils; de Espelho Prata, de Kurup
Figurino: Cássio Brasil
Iluminação: Mirella Brandi
SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA
A São Paulo Companhia de Dança se destaca pela sua versatilidade e inovação, desde sua criação em 2008, pelo Governo do Estado de São Paulo. Gerida pela Associação Pró-Dança, é dirigida por Inês Bogéa e codirigida por Milton Coatti. Reconhecida pela crítica como uma das mais prestigiadas companhias da América Latina, seu repertório abrange tanto criações exclusivas, quanto remontagens de grandes obras da dança mundial. Com apresentações que atravessam fronteiras, a Companhia leva sua arte a diversos públicos, tanto no Brasil, quanto no exterior. Já foi assistida por um público superior a 2 milhões de pessoas em 22 diferentes países, passando por cerca de 190 cidades em mais de 1.400 apresentações, acumulando mais de 50 prêmios e indicações nacionais e internacionais. Além disso, ações educativas e projetos voltados à preservação e difusão da memória da dança são parte essencial de sua missão, perpetuando esse legado cultural para as futuras gerações. São Paulo Companhia de Dança: excelência que inspira, movimento que transforma.
DIREÇÃO ARTÍSTICA | Inês Bogéa é doutora e pós-doutoranda em Artes, com atuação na interseção entre dança, educação e gestão cultural. Bailarina, documentarista, escritora, palestrante e professora, é reconhecida como uma líder multifacetada na dança e na educação, com vasta experiência na gestão, criação e implementação de projetos culturais, sociais e educacionais de grande impacto.
Desde 2008, é diretora artística da São Paulo Companhia de Dança, criada pelo Governo do Estado de São Paulo, onde já dirigiu mais de 1.400 espetáculos realizados em 22 países. Desde 2021, também atua como diretora artística e educacional da São Paulo Escola de Dança, destacando-se por sua atuação voltada à inclusão social e à formação de mais de 1.300 estudantes por ano.
É diretora artística da Mostra Internacional de Dança de São Paulo (MID-SP), realizada pela Associação Pró-Dança em parceria com o Itaú Cultural, e foi responsável por iniciativas como o curso Dança para Educadores do Sesc-SP. Atua ainda como colaboradora regular em veículos como a Revista CONCERTO, sendo co-criadora da coluna “Dança em Diálogo”. Na área acadêmica, leciona na Universidade de São Paulo (USP) e na Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB).
Ao longo de sua trajetória, recebeu a Medalha Tarsila do Amaral, concedida pelo Governo do Estado de São Paulo por sua contribuição artística, foi nomeada pela Critic’s Choice of Dance Europe e condecorada com o título de Chevalière de l’Ordre des Arts et des Lettres pelo Ministério da Cultura da França.
Serviço
SPCD – Ateliê de Criação 2026
Dias 29 e 30 de maio de 2026
Sexta e sábado, às 20h
Local: Centro Cultural São Paulo
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo
Ingressos: Gratuitos
Classificação: Livre

