Sesc Vila Mariana apresenta O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos

O Nosso Villa -Cecíla Brennan -foto de Hans Manteuffel -b

A companhia pernambucana Sopro-de-Zéfiro – Cecilia Brennand apresenta, somente nos dias 3 e 4 de setembro, quarta e quinta-feira, o musical O NOSSO VILLA – Um Musical Villa-Lobos, no Sesc Vila Mariana, às 21 horas. A montagem tem origem em trabalho realizado, em 2013, pelo Aria Social, instituição social criada e dirigida por Cecília, e nasceu da pesquisa e encenação sobre a vida e obra de Heitor Villa-Lobos.

Para a noite de estreia (3/9) o grupo ganhou como presente a participação especial da cantora Fafá de Belém. Artista de coração pernambucano, sempre empenhada em causas sociais, ela abriu mão do seu cachê e vai interpretar “Bachianas Nº 5 – Aria Cantilena”.

O espetáculo que chega a São Paulo é uma reverência à genialidade e criatividade de Villa-Lobos, reconhecido internacionalmente como o maior compositor brasileiro de todos os tempos. A união da dança contemporânea e do canto ao vivo traz força à atmosfera de O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos, que tem em cena um elenco de 36 bailarinos cantores, além de sete músicos – regidos pela maestrina Rosemary Oliveira – executando ao vivo algumas de suas mais importantes obras.

Bailarina e parceira de palco da diretora geral do espetáculo, Cecilia Brennand, há quase 40 anos, Beth Gaudêncio assina a concepção e direção de arte de O Nosso Villa. Artista intuitiva e experiente na elaboração de cenários e figurinos do grupo, sempre em plena consonância com a cena, Beth buscou na brasilidade explicita de Villa-Lobos o caminho para a identidade estética do musical, que marca sua estreia oficial como diretora de arte. “Além de bailarina talentosa, Beth sempre mostrou originalidade ao criar figurinos, que já vinham inseridos na cena em questão, deixando clara a sua necessidade de intervir na cena. A partir desse dom natural, foi muito estimulante lhe entregar a responsabilidade pelo trabalho”. Afirma a diretora.

O sucesso do trabalho artístico feito no Aria Social foi determinante para a finalização do roteiro de O Nosso Villa, que ganhou o personagem título, fundamental para humanizar a encenação. Segundo Beth Gaudêncio, o espetáculo é calcado no universo lúdico, sem o compromisso de mostrar na íntegra a trajetória do artista. A música narra os fatos do imaginário e as histórias fantasiosas de Villa, penetrando em seu perfil emocional, sempre carregado de entusiasmo. O Nosso Villa se baseia em fatos narrados por amigos, familiares, músicos, historiadores e biógrafos. Beth escreveu o roteiro em quatro dias, após estudar exaustivamente a vida do músico. “Não é uma biografia, o texto aconteceu a partir das músicas escolhidas pela maestrina: uma seleção perfeita para cantar a vida de Villa-Lobos de maneira mais teatral e menos documental”, comenta.

A coreografia e direção de cena têm a criatividade e o talento de Ana Emília Freire e Carla Machado, que assinam juntas a terceira montagem. A dupla conta que buscou por uma linguagem contemporânea para alinhavar tão diversos temas e cenas que o roteiro propõe. “Para extrair do elenco a verve autoral da dança, em cada cena, tivemos que mergulhar na expressividade do homem e do artista Villa-Lobos”, afirmam.

A montagem tem ainda um diretor teatral convidado, José Manoel Sobrinho, que dirigiu especificamente o ator Edcarlos Rodrigues, intérprete de Villa-Lobos, e duas coreógrafas convidadas, Mônica Japiassu e Maria Inêz Lima. Mônica, pioneira da dança moderna em Recife, assina A Guardiã da Natureza, cena protagonizada por Cecilia Brennand, que a considera mestra e inspiração de uma vida dedicada às artes. Maria Inêz coreografou a Suite Nº 5, que mostra o apartamento de Villa-lobos em Paris, onde recebia artistas e intelectuais para reuniões musicais.

A encenação de O Nosso Villa

De personalidade forte e espirituosa, Heitor Villa-Lobos foi um profundo estudioso e apaixonado pela diversidade das manifestações culturais brasileiras, tendo expressado fortemente estas influências nas suas composições. Parte de seu legado, permeado por essa brasilidade, é descortinado no musical, que inspira um roteiro de contrastes e genialidade, tal qual ele mostrou ser em vida.

Seus ideais de educação musical são representados pelas composições infantis, que resgatam as cirandas e o folclore brasileiro. A influência dos chorões, que marcou a valorização do violão em suas peças, a exuberância da nossa natureza tropical, sua forte ligação com a cultura indígena, a participação na Semana de Arte Moderna de 1922 e o tom clássico de composições na série Bachianas também são contemplados pelo musical.

A maestrina Rosemary Oliveira conta que selecionou alguns compassos de suas Bachianas, choros, prelúdios e cirandas e também da sua obra sinfônica A Floresta do Amazonas. O resultado está no repertório final: Bloco Infantil (Bom Dia/Garibalde/O Castelo/Rosa Amarela/Machadinha/OTrenzinho do caipira); Choro N° 1; Viva o Carnaval; Prelúdio n° 1 para Violão; Evocação; O Canto do Cisne Negro; Bachianas Brasileiras N° 2 – Toccata; Choros Nº 3 – Pica-pau; Bachianas Brasileiras Nº2 – Dança; Suíte n° 5; A Floresta do Amazonas – Caçadores de Cabeça e Veleiro; Bachianas N° 5 – Ária Cantilena; e A Floresta do Amazonas – Ouverture.

Cecilia Brennand, Ária social e Sopro-de-Zéfiro

Bailarina, produtora, curadora e empresária, Cecilia Brennand vem se dedicando à arte desde 1974, quando iniciou estudos em dança clássica e moderna com Mônica Japiassú, com quem escreveu uma longa história como profissional da dança. Anos mais tarde, em 1988, fundou a Sopro de Zéfiro Produções Culturais e Artísticas, produtora com a qual realizou espetáculos de repercussão nacional e internacional, representando, inclusive, a dança de Pernambuco em Portugal. Em 1991, inaugurou o Aria Espaço de Dança e Arte, ao mesmo tempo escola de dança e galeria de arte, que passou a ser referência para o movimento artístico da Recife. Como curadora, realizou importantes exposições com artistas nacionais e internacionais como Volpi, Cícero Dias, Siron Franco, Fernando Lucchesi, Luiz Paulo Baravelli, Fernando Velloso, Cláudio Tozzi, Luciano Pinheiro, José Barbosa, José Cláudio, Marco Giannotti, Francisco Brennand, João Câmara e muitos outros. Direcionando seu trabalho artístico para a comunidade local, fundou em 2004 o Aria Social, associação sem fins lucrativos que contribui ativamente para democratização cultural e artística de seu estado.

O Aria Social é uma organização sem fins lucrativos, fundada em agosto de 2004, que fundamenta a sua atuação na transformação humana, na formação artística e na profissionalização nas áreas de dança e música. Por meio de oficinas de formação continuada, e com o objetivo de democratizar arte e cultura, o Aria Social cumpre um importante papel social, atendendo mais de 400 crianças e jovens, entre seis e 25 anos, oriundos de comunidades de risco de Recife e Jaboatão dos Guararapes. O trabalho compõe o cenário artístico do Estado, tendo como diferencial a integração da dança e música na realização de musicais de relevância artística que difundem a cultura e o talento pernambucano nos importantes pólos culturais do país.

O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos é a terceira montagem do Aria Social, que já excursionou pelo Brasil com os espetáculos anteriores. Estreado recentemente, O Nosso Villa tem circulação programada pelo Nordeste, Sudeste e Centro Oeste. Apresentações já foram realizadas nas cidades de Recife/PE, Natal/RN, Aracaju/SE e, agora, em São Paulo.

Recém-criada, a Cia Sopro-de-Zéfiro – Cecilia Brennand surgiu da necessidade natural em atender a demanda de profissionalização de jovens formados pelo Aria Social. Mais de 20 bailarinos/cantores formam o elenco principal dos espetáculos produzidos pela instituição. Completando o elenco, outros 15 jovens, alunos do Aria Social, em processo de formação artística, também entram em cena.

FICHA TÉCNICA

Musical: O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos
Direção geral: Cecilia Brennand
Concepção e direção de arte: Beth Gaudêncio
Direção musical e regência: Rosemary Oliveira
Direção de cena e coreografia: Ana Emília Freire e Carla Machado
Coreógrafas convidadas: Mônica Japiassu e Maria Inêz Lima
Diretor convidado para o personagem Villa-Lobos: José Manoel Sobrinho
Criação de cenário e figurino: Beth Gaudêncio
Confecção de cenário: Beth Gaudêncio e Nafis Santana
Confecção de figurino: Heloisa Tenório, Fátima Paulino, Nafis Santana, Madson Erick, Rita de Cássia e Wedna Vasconcelos.
Plano de luz e iluminação: Saulo Uchôa
Sonoplastia: Isabel de Brito
Fotografia: Hans Manteuffel / Grupo Lucena
Programação visual: Ampla
Coordenação de produção: Deborah Priston
Produção executiva: Vânia Oliveira
Apoio produção: Marcia leal, Maria Celina Mota e Ângela Peixoto
Assistente de palco: Edvaldo dos Santos e Rodolpho Silva
Produção geral: Cia Sopro de Zéfiro – Cecilia Brennand
Realização: Sesc São Paulo
Participação especial (3/9): Fafá de Belém
Instrumentistas: Rosemary Oliveira (maestrina/teclados), Isabela dos Santos (teclados), Jardel Souza (violoncelo/violão), Adriana Nascimento (flauta), Charly Jadson (percussão), Davidson Oliveira (percussão) e Manoel Júnior (percussão).
1º elenco Cia Sopro-de-Zéfiro: Danilo Rojas, Edvaldo dos Santos, Flávio Henrique, Henrique Braz, Julyanne Rocha, Karla Rayanne, Leide Dornelas, Lua Costa, Luzii Santos, Madson Erick, Nataly Araújo, Rodolpho Silva, Sigmara Caitano, Silas Samarky e Thiago Barbosa.
2º elenco Cia Sopro-de-Zéfiro: Amanda Regina, Beatriz Soares, Edcarlos Rodrigues, Marilia Fernandes, Myrella Cavalcante, Ruanna Viana e Tiago Santos.
Alunos Aria Social: Adriany Araújo, Alice Soares, Cirlanny Nascimento, Elton Marques, Elton Ribeiro, Everton Câmara, Jonathas Santos, Karolainy Santana, Maria Clara Lima, Maria Julia Alves, Monalisa Souza, Rodrigo Gomes e Vitória Angely.
Apoio vocal: Valeska Carvalho, Lílian Mendes e John Paul.

SERVIÇO

O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos
Sopro-de-Zéfiro – Cecilia Brennand
3 e 4 de setembro de 2014
Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, nº 141. Vila Mariana – São Paulo – SP
Ingressos: será R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciário)
Informações: (11) 5080-3000
Duração: 80 min.
Classificação etária: 10 anos