Sesc Consolação recebe projeto Performídias: Escuridão, com espetáculos que extrapolam o sentido da visão

Entre 18 de outubro e 1º de novembro, o Sesc Consolação recebe espetáculos, oficinas e bate-papos na programação “Performídias: Escuridão”. O projeto discute formas artísticas nas quais a visualidade não é predominante em relação aos outros sentidos da percepção humana, o que representa um desafio para as artes visuais e cênicas, em que as imagens são hegemônicas.

Nessa nova tendência artística, os trabalhos são apresentados em ambientes pouco iluminados. O espectador é convidado a imergir de corpo presente em uma escuridão intensamente povoada, onde se é possível criar e imaginar. Assim, o escuro desenvolve um outro tipo de visão, uma forma de transbordamento do olhar e das imagens cotidianas.

A programação conta com os espetáculos “FIM”, do Grupo Vão, “Nada se Move”, do Coletivo Irmãos Guimarães, e “Apagão”, de David Marques e Tiago Cadete; o bate-papo “Dramaturgias no Escuro”, com mediação de Sérgio Andrade; e as oficinas “Sem Horizonte, Pensar em Não Ver”, com Andrade, e “Teatralidade e Artes Visuais: Transição do Óptico ao Háptico”, com Rafael Vogt Maia.

Programação

Espetáculos

Nada se move, com Coletivo Irmãos Guimarães

Dias 18 e 19/10. Quinta e sexta, às 20h.
14 anos. 60 minutos. Espaço BETA.
R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 6 (credencial plena)

Uma sala na penumbra. Cadeiras estão distribuídas no espaço. Depois que todos estão acomodados, escuro total. Ouve-se uma voz de alguém que começa a descrever o espaço em que estamos, enquanto anda por entre as pessoas. Movimentando-se cada vez mais rápido e de maneira imprevisível, ela agora descreve os movimentos que executa. É possível sentir sua respiração, às vezes, o toque, às vezes, um tropeço. Ela começa a contar algo que aconteceu com ela no passado. As narrativas vão se sobrepondo e se cruzando. Em algum momento, ela esbarra em alguém. Passamos, então, a escutar seu relato do ato, suas impressões em relação àquele em quem ela esbarrou. Mas ela continua. As narrativas são constantemente atravessadas por outras. Sem aviso, a voz desaparece.

Ficha Técnica

Dramaturgia: Adriano Guimarães e Yara de Cunto
Atriz: Yara de Cunto
Direção: Adriano e Fernando Guimarães
Desenho de Luz: Dalton Camargos
Direção de arte cenografia: Ismael Monticelli
Direção Técnica: Josenildo de Sousa
Assistência de Iluminação: Camilo Soudant e Sarah Salgado
Assistência de Produção: Eduardo Jayme de Arimathéa
Coordenação de Produção e Produção Executiva: Coletivo Irmãos Guimarães

Apagão, com Tiago Cadete e David Marques

Dias 25 e 26/10. Quinta e sexta, às 20h.
14 anos. Espaço BETA.
R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 6 (credencial plena)

Na passagem para o século XX, um teatro escuro poderia ter sido chamado de “wagneriano”, referenciando o compositor alemão Richard Wagner. Foi para criar uma maior atenção ao que se passava em cena perante os olhos do espectador que Wagner escureceu a plateia, através dos avanços elétricos nas luzes para teatro, evitando assim que o libreto da ópera fosse lido e consultado durante a récita. Essa escuridão permitiu uma maior imersão do público no espetáculo e a exploração de efeitos ópticos e ilusões que deram origem ao teatro negro, que explorava o desaparecimento de corpos e objetos sobre um fundo negro que enganava o olhar. Antes disso, o teatro era um espaço para ver e ser visto, dois objetivos que muitas vezes estavam em conflito. Em APAGÃO queremos não só retirar a luz da plateia – como fez Wagner – mas também a do palco, que tradicionalmente se ilumina perante o espectador.

Ficha Técnica

Criação e interpretação: David Marques e Tiago Cadete
Desenho de luz: Rui Monteiro
Apoio ao desenho de som: João Neves
Fotografia: José Carlos Duarte
Assessoria de imprensa: Mafalda Simões
Produção: Parca Co-produção: Temps d’Images e Citemor
Residências: Espaço do Meio, Eira – um lugar para a dança, Negócio/ZDB, Citemor

Fim, com Grupo Vão

Dias 30/10 e 1/11. Terça e quinta, às 20h.
16 anos. 50 minutos. Espaço BETA.
R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 6 (credencial plena)

“Fim” é uma coreografia que parte da investigação sobre o fazer coletivo e suas potências enquanto modo de trabalho, modo de criação e modo de vida, onde o estar só e o estar junto coexistem. Imersas numa experiência de escuridão e imaginação, compartilhada com o público, as artistas se lançam no mergulho de dançar juntas a partir de outras formas de conexão.

Ficha Técnica

Direção: Grupo VÃO
Criação e dança: Carolina Minozzi, Isis Andreatta, Juliana Melhado, Julia Viana e Patrícia Árabe.
Colaboração dramatúrgica: Ana Maria Krein
Composição sonora: Gustavo Lemos
Iluminação: Laura Salerno
Assistência de Iluminação e operação de luz: Fernando Melo
Espaço e figurino: Renan Marcondes
Cenotécnico: Cauê Gouveia
Costura: Bruna Sartini e ZANG
Arte Gráfica: Pedro Jamal Campanha
Fotos: Mayra Azzi
Registro em vídeo: Bruta Flor Filmes
Produção: Margarida Sequeira Duarte e Iolanda Sinatra
Mídias Sociais: Matula Criativa/Rodrigo Melhado

Bate-Papo

Dramaturgias no Escuro

Dia 22/10. Segunda-feira, das 19h30 às 21h30.
Espaço Beta. Grátis.

Convidados: Tiago Cadete, David Marques, Adriano e Fernando Guimarães, Carolina Minozzi, Julia Viana e Juliana Melhado (Grupo Vão) e Sérgio Andrade (mediação)

Bate-papo com integrantes dos grupos com espetáculos na programação, com o objetivo de dividir com o público seus processos de criação.

Oficinas

Sem Horizonte, Pensar Em Não Ver, com Sérgio Pereira Andrade

Dia 23/10. Terça-feira, das 18h às 22h.
12 anos. Sala BETA.
R$15 (inteira), R$7,50 (meia-entrada) e R$7,50 (credencial plena).
Inscrições na Central de Atendimento (telefone abaixo).

Parte da discussão sobre o “pensamento cego” e o “mundo das luzes por vir”, propostas por Jacques Derrida, para pensar as relações entre dança, corpo, escuridão e acontecimento na cena contemporânea. Os participantes serão convidados a experimentar debates e exercícios de escrita durante a proposta.

Sérgio Andrade é artista, pesquisador de dança, performance e filosofia e professor do Departamento de Arte Corporal da UFRJ. É doutor e mestre em Filosofia pela PUC-Rio e mestre em Artes Cênicas e Licenciado em Dança pela UFBA.

Teatralidade e Artes Visuais: Transição do Óptico ao Háptico, com Rafael Vogt Maia

Dias 29 e 31/10. Segunda, das 19h às 22h; e quarta-feira, das 20h às 22h.
14 anos. Sala Ômega.
R$20 (inteira), R$10 (meia-entrada) e R$10 (credencial plena).
Inscrições na Central de Atendimento (telefone abaixo).

No curso, serão apresentadas obras de diversos artistas contemporâneos, nas quais observa-se uma transição de uma cultura ótica para uma cultura háptica ou tátil. No segundo encontro, após uma apresentação, será feita uma proposta de exercício escrito envolvendo o tema da escuridão.

Rafael Vogt Maia Rosa é crítico de arte, curador e professor. Graduado em Linguística, mestre e doutor em literatura comparada pela USP, foi, entre 2013 e 2015, pesquisador convidado na Yale School of Drama, nos EUA.

Crédito da foto: Mayra Azzi | Cena de Fim, com Grupo Vão

Serviço

Performídias: Escuridão
De 18 de outubro a 1º de novembro de 2018
Local: Sesc Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo
(Próximo à estação Mackenzie do Metrô – Linha 4 – Amarela)
Ingresso: ver programação
Informações: (11) 3234-3000

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