Espetáculo O Crivo chega ao Teatro Sesc Centro, em Goiânia, para duas apresentações.

Dança contemporânea e literatura dialogam no espetáculo O Crivo, que será apresentado em Goiânia nos dias 19 e 20 de abril no Teatro Sesc Centro, às 20h. Inspirado na obra “Primeiras Estórias”, de João Guimarães Rosa, o projeto deu início à circulação nacional no início do mês de março e prevê passar por dez cidades brasileiras no total em 2017. Na sequência, Campo Grande recebe o espetáculo.

Todas as atividades são gratuitas, mas os realizadores apostam em uma campanha nessa circulação: a doação de um livro (usado ou não) na hora do espetáculo. Desta vez, as doações serão destinadas à Biblioteca Baú da Imaginação do Circo Lahetô.

Novidade internacional

O projeto apresenta uma novidade com exclusividade: O Crivo foi convidado para participar do Festival TANEC Praha 2017, em Praga, capital da República Tcheca. Além da capital, o festival também acontece em outras cidades do país entre os dias 28 de maio e 28 de junho. O Crivo circulará por oito delas: Ostrava, Olomouc, Jihlava, Plzeň, Hradec Králové, Choceň, Brnoe Praga. A equipe embarca no dia 25 de maio com o apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás dentro do projeto O Crivo Circulação. Dentro da proposta do espetáculo está a realização de oficinas de dança, que também serão ministradas na circulação internacional. Para saber mais sobre o festival, acesse o site: www.tanecpraha.cz/.

Caminho para o sertão

Três contos da obra de Guimarães Rosa inspiraram João Paulo Gross, que assina a direção e a coreografia de O Crivo: “A Terceira Margem do Rio”, “O Espelho” e “Nada e a Nossa Condição”. “A concepção do projeto se deu no momento que eu li o ‘Primeiras Estórias’. Eu fiquei muito mexido e me apaixonei pela escrita, pelo ritmo e por todo o sertão que o autor descreve na obra”, conta o coreógrafo. Gross explica, no entanto, que o sertão é outro. Não está em Minas, na Bahia ou em Goiás – o sertão é aqui. É o próprio ser, o sozinho que todos temos, o mundo de cada um.

Os contos foram utilizados como imagens para provocar a construção poética da coreografia. Para isso, Gross selecionou uma “imagem poética” em cada conto que, na concepção dele, o representava. Em “A Terceira Margem do Rio”, a imagem escolhida foi o próprio rio; em o “Nada e a Nossa Condição”, o “e” foi o escolhido pelo coreógrafo – o elemento de ligação entre o “nada” e “a nossa condição” que, no fim das contas, são a mesma coisa; o próprio objeto é a imagem escolhida em “O Espelho”.

A ligação entre os contos se dá através das ideias por trás dessas imagens. O rio enquanto metáfora para a vida – aquele que nasce, corre e termina desaguando no oceano – dialoga com a ideia do espelho – como eu me vejo e como eu me reconheço pelo olhar do outro. A ligação entre o “nada” e a “nossa condição” remete à famosa frase: “do pó viemos e ao pó voltaremos”.

O duo

Dois homens criam relações que só se revelam à medida em que atravessam suas estórias, o mundo de cada um. Atravessam juntos o ser-tão, travando diálogos e contatos para mergulhar na busca do que muda e o que permanece em cada um. O Crivo é dramaturgia de mistérios, convivências e comoções, interpretado pelo próprio coreógrafo e diretor ao lado de Daniel Calvet.

Dois bailarinos, dois mundos, duas vidas que se organizam e que se conversam. O Crivo instaura um caminho inusitado entre esses dois, partindo das questões levantadas por Guimarães Rosa em sua obra: colocar-se em trânsito, atravessar; viver no limiar entre movimento e repouso, nascimento e morte.

Os artistas

João Paulo Gross é coreógrafo, bailarino, professor de movimento e Membro do Conselho Internacional de Dança – CID. Buscando novas percepções e diálogos com outros artistas, estabelece parcerias que pesquisam a dança em diálogo com outras linguagens artísticas na cena contemporânea. No período em que trabalhou na Quasar Cia de Dança/GO, conheceu o artista Daniel Calvet. Através de identificações estéticas e o desejo de trabalharem num projeto autoral, se uniram para pesquisar a cena contemporânea. Assim, tencionando questões relativas à dança e ao teatro, tendo como ponto de partida o movimento do corpo e sua construção dramatúrgica na cena.

Continuidade e novidades

O espetáculo de dança O Crivo estreou em 2015 em Goiânia e passou por festivais como o Dança em Trânsito (RJ), Goiânia em Cena e MID – Movimento Internacional de Dança (DF) no mesmo ano e em 2016. “O Crivo dialoga bem com o público, não é um espetáculo de difícil acesso. A gente teve uma resposta muita positiva, tanto em Goiânia, quanto em outros lugares”, revela o diretor sobre a recepção nessas primeiras apresentações. “A gente está muito feliz de fazer essa circulação nacional. Vai ser uma grande oportunidade de mostrar nosso trabalho pelo Brasil”.

Na continuidade de suas atividades, o espetáculo percorrerá as cidades de Campo Grande (MS), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Natal (RN), Manaus (AM), Anápolis e Mineiros. O Crivo foi contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e pelo prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015.

SERVIÇO

O CRIVO
De João Paulo Gross
Dias 19 e 20 de abril de 2017
Quarta e quinta, às 20h
Local: Teatro Sesc Centro
Rua 15, esquina com a Rua 19 – Setor Central – Goiânia/GO – CEP: 74030-090
Ingresso: Grátis (Doe um livro (usado ou não) na hora do espetáculo)
Site: www.joaopaulogross.com/ocrivo
Facebook: /ocrivocirculacao
Instagram: @ocrivocirculacao