Cia. Artesãos do Corpo/Dança-Teatro celebra 20 anos e apresenta 3 espetáculos do seu repertório

Crédito da foto: Fábio Pazzini

Em 2019 a Cia. Artesãos do Corpo, celebra 20 anos de pesquisa e criação e a partir de 02 de agosto apresenta em São Paulo 2 criações de seu repertório (“TEMPO SUSPENSO” e “A BELEZA TEM 3 MAMILOS”) , além da continuidade da temporada de estreia de sua mais recente criação (E A GARÇA CANTA COM TRISTEZA).

Os palcos da FUNARTE-SP e do CENTRO CULTURAL OLIDO, recebem essa programação 100% gratuita.

Tempo Suspenso, criação de 2017 fala sobre a questão dos refugiados na cidade de São Paulo e sobre a perda e a busca de um lugar. E a garça canta com tristeza, criação de 2019, tem como livre inspiração os mangás e animês “Ghost in the Shell” e se debruça no universo da ficção cientifica para falar sobre um futuro/presente distópico. A Beleza tem 3 mamilos é uma criação de 2016 que dialoga com o universo das artes plástica com humor, ironia e leveza.

Dirigida por Mirtes Calheiros a Cia. Artesãos do Corpo, busca diluir a fronteira entre a dança-teatro-performance e nessas três criações é possível vislumbrar como o elenco da companhia traz à cena uma diversidade de referências estéticas e corporais traduzindo em cenas, movimentos, dança cada tema e universo explorado em cada criação.

Essas apresentações fazem parte do projeto Cia. Artesãos do Corpo – Continuidade, Circulação e Criação, contemplado pela 24 a edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para cidade de São Paulo.

Tempo Suspenso (2017)

Tempo Suspenso, nasceu a partir de inquietações e questionamentos acerca dos efeitos no corpo da perda e da busca de um lugar e sobre a capacidade humana de redesenhar mapas próprios.  Essa criação dá continuidade à pesquisa da Cia. Artesãos do Corpo, sobre estados físicos e situações em suspensão ou momentos MA. Como ponto de partida a situação dos refugiados que chegam à cidade de São Paulo e os espaços que os acolhem.

A questão do refúgio é um desafio mundial e poderia ser uma grande oportunidade para as nações ultrapassarem o preconceito, caminhando para um mundo novo.  Não é isso que está acontecendo e o número de pessoas deslocadas não para de crescer. Enquanto as nações repetem  velhas estratégias de exclusão do diferente, o tempo permanece suspenso.

O palco é o local de refúgio e acolhimento dessa geografia em trânsito, um lugar onde memórias diversas se cruzam e entrecruzam traduzindo através do corpo depoimentos e experiências sobre a busca de um lugar onde seja possível dançar essas histórias, memórias, perdas e ausências.

E a garça canta com tristeza (2019)

e a garça canta com tristeza é a recente criação da Cia Artesãos do Corpo | Dança-Teatro inspirada nos  Mangás de Shirow Masamune (Ghost in the Shell) e nos animês de Oshii Mamoru (Ghost in the Shell e Innocence) bem como  na literatura e filmografia que circunda o universo das scifi, onde o futuro é retratado como distópico.

Indagamos se o que vivemos hoje é o futuro que deveria ser amanhã. Colocaremos em dúvida o que é real, o quanto de humano ainda resta em nós, do nosso tempo conectados a uma máquina que abriga um sistema “inteligente”.

A música criada por Kenji Kawai, para o animê Innocence, acompanhou o processo de criação e os acontecimentos  que assolavam (e assolam) o país: “Mesmo que a lua não se ilumine todos os dias, todas as noites, a garça canta com tristeza… O mundo em que vivo, minha existência é desalentadora, mas o sonho não morre, floresce com o rancor!” E a garça continua cantando com tristeza…

O clássico filme de Ridley Scott, “Blade Runner”, tinha como data futura o ano 2019. Na tela de abertura uma profecia: Replicantes foram declarados ilegais na Terra e a polícia especial – Blade Runner Units – tinham ordens de atirar para matar… isso não era chamado de execução. Era chamado de aposentadoria. A música criada por Kenji Kawai, para o animê Innocence, acompanhou o processo de criação e os acontecimentos  que assolavam (e assolam) o país: “Mesmo que a lua não se ilumine todos os dias, todas as noites, a garça canta com tristeza… O mundo em que vivo, minha existência é desalentadora, mas o sonho não morre, floresce com o rancor!” E a garça continua cantando com tristeza…

O clássico filme de Ridley Scott, “Blade Runner”, tinha como data futura o ano 2019. Na tela de abertura uma profecia: Replicantes foram declarados ilegais na Terra e a polícia especial – Blade Runner Units – tinham ordens de atirar para matar… isso não era chamado de execução. Era chamado de aposentadoria.

A riqueza de referências e desdobramentos que a obra de Oshii nos apresenta jamais caberia  numa única peça. Fiquemos pois com as impressões que mais nos tocaram, afinal, como diz o escritor Haruki Murakami: escrever romances é perseguir possibilidades. O mesmo eu diria sobre compor criações para dança-teatro.

A beleza tem 3 mamilos

A Cia Artesãos do Corpo | Dança- Teatro, traz para o palco uma coleção de cenas que apresentam diferentes abordagens entre o corpo e as artes plásticas, seja para apreciar uma obra, para demonstrar status ou simplesmente para se relacionar dentro desse ambiente o corpo se coloca em situações limites e adota artifícios, gestos e formas que beiram o surrealismo. O uso frequente de objetos cotidianos amplia os tons surreais de uma narrativa próxima dos sonhos ou da memória, criando um painel característico da companhia que há 20 anos busca diluir as fronteiras entre dança, teatro e performance. Parte integrante do projeto “Cia. Artesãos do Corpo – Continuidade, Circulação e Criação”, contemplado pela 24 a edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para cidade de São Paulo, essa criação resgata e atualiza a trajetória da Cia. Artesãos do Corpo através de uma colagem de cenas e composições. O recorte escolhido para esse experimento cênico é o do humor e do diálogo com a performance, uma vez que os intérpretes interagem e contracenam com vários objetos, criando uma atmosfera surreal, onde corpo e objeto se complementam na construção de uma dramaturgia instigante e provocadora.

Ficha técnica

Direção: Mirtes Calheiros
Intérpretes: Dawn Flemming, Ederson Lopes, Elder Sereni, Fany
Froberville, Hiro Okita, Leandro Antonio, Maira Yuri e Mirtes
Calheiros
Pesquisa musical e sonoplastia: Marcelo Catelan
Luz: Carlos Gaucho
Fotos: Fabio Pazzini
Arte gráfica: Bruno Pucci

Serviço

Tempo Suspenso
Cia. Artesãos do Corpo/Dança-Teatro
Dias 02, 03 e 04 de agosto de 2019
Sexta e sábado, às 20h30, domingo, às 19h
Local: Complexo Cultural FUNARTE – Sala Renée Gumiel
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis

E a garça canta com tristeza
Cia. Artesãos do Corpo/Dança-Teatro
Dias 09, 10 e 11 de agosto de 2019
Sexta e sábado, às 20h30, domingo, às 19h
Local: Complexo Cultural FUNARTE – Sala Renée Gumiel
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis

A beleza tem 3 mamilos
Cia. Artesãos do Corpo/Dança-Teatro
Dias 23, 24 e 25 de agosto de 2019
Sexta e sábado, às 20h, domingo, às 18h
Local: Centro Cultural Olido
Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis

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