Sesc Santo Amaro apresenta Praga da Dança, do Coletivo Desvelo

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Foto: Erico Santos

Dia 11 de maio, às 15h, o Sesc Santo Amaro apresenta o espetáculo de dança Praga da Dança, no Calçadão da Rua Capitão Tiago Luz, grátis, com o Coletivo Desvelo.

Livremente inspirado no fenômeno homônimo ocorrido na França em meados do século XVI, Praga da Dança traz para as ruas da cidade a experiência de contaminação, de se exaurir para contaminar, a fim de instigar o público na ocupação dos espaços de circulação, fazendo surgir assim uma grande dança-celebração. A intervenção, efêmera, traz à cidade corpos presentes e atuantes, em uma disputa dos limites físicos e mentais, atingindo colapsos entre matéria e espírito.

Praga da Dança evoca reminiscências corporais. Uma lembrança da dança oculta de cada corpo embarcando em um transe enfermo e místico com intuito de atingir sua exaustão para uma contaminação direta entre espaço, público e artistas.

A Praga da Dança

A Praga da Dança, ou Epidemia de Dança foi um caso de dançomania ocorrido em Estrasburgo, na França em julho de 1518. Na ocasião, diversas pessoas dançaram sem descanso por dias a fio e, no período de aproximadamente um mês, a maioria veio a falecer em consequência de ataques cardíacos, derrames ou exaustão.

O fenômeno teve início quando uma mulher, Frau Troffea, começou a interpretar passos frenéticos de dança numa rua da cidade de Estrasburgo aparentemente sem qualquer motivo. O fenômeno continuou a manifestar-se em torno de quatro a seis dias e numa semana, outras trinta e quatro pessoas já integravam a dançomania, sendo que, passado um mês, havia aproximadamente 400 dançarinos nas ruas.

Documentos históricos, incluindo “observações médicas, sermões catedráticos, crônicas locais e regionais, e mesmo notas divulgadas pelo conselho municipal de Estrasburgo” esclarecem que as vítimas estavam a interpretar passos de dança e não apenas se contorciam de forma aleatória. O motivo de essas pessoas dançarem obstinadamente até o esgotamento de suas energias jamais foi identificado.

Inspirado por este evento, o Coletivo Desvelo, por meio das danças contemporâneas, navega pelas memórias das sensações a fim de dar continuidade à praga: a praga volta, a praga pega.

HISTÓRICO DO GRUPO

O Coletivo Desvelo surgiu em 2013 com intuito de aproximar artistas afinados em suas trajetórias profissionais, mas também os que tivessem suas particularidades preservadas. O objetivo era encontrar uma estética plural, mas coesa, entre as danças contemporâneas.

Com trabalhos de dança voltados para a fotografia, a primeira ação do grupo foi Janela do Vazio. Nela, a discussão da solidão e das relações de afeto questionavam a necessidade intrínseca ao ser humano de fazer parte de algo, de uma tribo, para se sentir presente na sociedade.

Em 2015, com a criação do espetáculo de rua Praga da Dança (contemplado pelo Programa VAI I), o Coletivo Desvelo fez um recuperação de relatos e registros de meados do século XVI, de uma manifestação, de mesmo nome, que levou a França e suas autoridades ao caos, a uma celebração dançante. Esse trabalho participa atualmente do Circuito Municipal de Cultura.

Assim, o Coletivo Desvelo vem se estruturando como um grupo atuante na cena das danças contemporâneas da cidade de São Paulo. Existe e resiste como um real anseio, entre jovens artistas, de poder dialogar com o público as questões que são de todos e para todos, pensar em democratizar a prática em dança para além das ações políticas e poéticas.

FICHA TÉCNICA

Direção e Concepção: Djalma Moura
Interpretes-Criadores: Heloisa Amazonas, Mônica Caldeira, Victor Amaro, Juliana Nascimento, Shayanny Sá e Djalma Moura
Criação Musical: Leandro Perez
Figurino: Coletivo Desvelo

SERVIÇO

Praga da Dança
Coletivo Desvelo
Dia 11 de maio de 2016
Quarta, às 15h
Local: Calçadão da Rua Cap. Tiago Luz – Santo Amaro – São Paulo/SP
Ingresso: Grátis
Duração: 60 min
Classificação: Livre

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