Projeto Fricções realiza apresentações no Sesc Ipiranga

Série de espetáculos, intervenções, performances, residências e oficinas que tratam da diversidade por meio de diferentes linguagens e formatos. Resistir e existir – em rede, em grupo, em coletivo – produzindo relações, afetos, propostas que borram as fronteiras entre arte e vida.

Programação

Bate-papo: O que a resistência micropolítica tem a ver com a arte (e com a clínica)? – Com Suely Rolnik
21/02 às 20h | 12 anos | Grátis

Bate-papo com Suely Rolnik sobre as relações entre arte (e clínica), resistência e existência. A matriz micropolítica do regime colonial-capitalístico é o abuso das forças vitais da biosfera, em seus diversos componentes. No componente humano, tal abuso atinge hoje a pulsão em sua própria nascente, desviando-a de seu destino ético: processo de criação de outros modos de existência, toda vez que a vida assim o exige. Em face desse estado de coisas, é preciso resistir micropoliticamente: desarmar o inconsciente estruturado no abuso, desertando, assim, suas formações no campo social e, com elas, nossos personagens em suas cenas, em um processo coletivo de subjetivação que as transfigure e transvalore. Nessa esfera da resistência política, arte e clínica são indissociáveis.

Corredeira
21/2 às 21h30 | 12 anos | Grátis

Água que inunda o corpo e o faz mover em busca de espaços locados na memória ancestral que se presentifica no acontecimento da dança, mergulhada nas formas de representação próprias das culturas negras de origem banto.

Ficha técnica
Concepção, criação e interpretação: Kanzelumuka
Colaboração artística: Murilo De Paula
Iluminação: Diogo Cardoso
Arte sonora: Vagner Cruz
Figurino: Éder Lopes
Produção: Guria Q Produz
Realização: Nave Gris Cia. Cênica
Duração: 30 minutos

A Dança da Indignação e o corpo negro periférico: 15 anos da Cia. Sansacroma
22/2 às 20h | 12 anos | Grátis

Mesa de discussão sobre a metodologia criada por Gal Martins – a dança da indignação –, seu processo de concepção, o tensionamento do corpo negro periférico no universo da dança contemporânea e suas relações com o contexto atual. Durante este evento, será feito o lançamento da publicação comemorativa dos quinze anos da Cia.

Ficha técnica
Mediação: Anelise Mayumi, artista da dança integrante do grupo Fragmento Urbano
Participantes: Gal Martins, artista da dança, criadora da Cia. Sansacroma
Kanzelumuka, artista da dança, integrante da Nave Gris Cia Cênica e idealizadora do projeto Mulheres Negras na Dança
Érica Malunguinho, ativista, educadora e artista, é fundadora do centro de cultura de resistência negra Aparelha Luzia

Vênus Negra – Um manual de como engolir o mundo
23/2 às 21h | Livre | R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 6,00 (credencial plena)

Através de uma singela homenagem à Saartjie, a Vênus Negra, mulher africana que há dois séculos foi exibida em uma jaula na Europa por ter proporções avantajadas, o espetáculo propõe exorcizar a condição vivida por ela, transpondo essa problemática para o nosso tempo.

Ficha técnica
Concepção e direção: Gal Martins
Intérpretes criadoras: Fabiana Pimenta, Dandara Gomes, Luciane Barros e Gal Martins
Participação especial e preparação corporal: Rosângela Alves
Musicista convidada: Analu Barbosa
Figurino: Wellington All
Letras musicais: Fabiana Pimenta
Texto: Gal Martins
Edição de trilha sonora: Piu Dominó e Erico Santos
Colaboração em arranjos musicais: Luana Bayô
Iluminação: Natália Tavares
Fotografia: Sheila Signário
Assistente de produção: Piu Dominó
Assessoria de imprensa: Lau Francisco

Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro
23/2 às 21h30 e 24/2 às 19h30 | Livre | R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 6,00 (credencial plena)

Numa encruza consigo mesmo, onde cada viela indica uma face de sua negritude, a travessia só aponta um caminho: o reencontro e reapropriação de seu corpo, sexo, ancestralidade e criação de sua relação com o mundo. O espetáculo propõe um manifesto físico ritual do instante em que o sujeito negro se torna negro.

Ficha técnica
Criador-intérprete: Edson Raphael
Direção cênica: Eduardo Cesar
Direção de movimento: Deise de Brito
Dramaturgia: Edson Raphael, Eduardo Cesar e Gilberto Costa
Criação e curadoria textual: Gilberto Costa
Composição musical: Leandro Pacheco
Experimentação vocal: Natália Nery
Cenografia, figurino e iluminação: Edson Raphael e Eduardo Cesar
Assessoria de imprensa: Lebá Comunicação
Operação de luz: Tainá Francis
Operação de som: Gilberto Costa
Fotografia: Rodrigo Kees
Trecho da música Oitavo anjo, 509-E
Citações dos pensadores: Abdias do Nascimento, Aimé Césaire
Entrevistas utilizadas em processo: Edson de Jesus, Erickson Felizardo Novais, Kelly Rodrigues de Jesus, Marco Antonio Fera, Regiane da Costa Cruz

Redes de Indignação
24/2 às 17h | 14 anos | Grátis

A Sansacroma convida outros grupos e dançarinos que, dentro de suas metodologias, estão em diálogo com a proposta da Cia. O encontro propõe a troca de informações, discursos e indignações entre os grupos: conversas e apresentação de possibilidades e concepções do corpo e dos movimentos que podem compor uma obra.

Rebanho
24/2 às 21h e 25/2 às 18h | Livre | R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 6,00 (credencial plena)

Espetáculo composto de cinco solos que pressupõem uma recusa à submissão, uma insistência em ser, em afirmar a existência. Resistir é o próprio ato de criar. Criar o possível para si próprio e para o mundo.

Ficha técnica
Direção: Gal Martins
Assistente de Direção: Djalma Moura
Intérpretes Criadores: Djalma Moura, Malu Avelar, Ciça Coutinho, Flip Couto, Aysha
Nascimento e Érico Santos
Trilha Sonora: Melvin Santana e Uribe Teófilo
Técnico de Audio: Danilo Santana
Concepção e Operação de Luz: Piu Dominó
Orientação de Pesquisa: Rodrigo Reis
Preparador Corporal: Djalma Moura
Produção: Maria Fernanda Carmo e João Simões
AproximAção com o Público: Ciça Coutinho

Encruzilhada
25/2 às 16h | Livre | Grátis

Espetáculo de dança sobre a atualidade, a ressignificação da ancestralidade e os espaços urbanos, propõe uma outra consciência corpo-política, um ato de resistência das periferias, dos mestres da cultura popular e do hip-hop. A Cia Fragmentos Urbanos é um grupo de dança que nasceu em 2009 da inquietude de jovens advindos da periferia da zona leste de São Paulo, que traziam como ponto de interesse comum a criação de espetáculos a partir da linguagem das danças urbanas (hip-hop) para intervenções. Compreendendo a dança como um campo de pesquisa amplo e profundo, atualmente as pesquisas para criação se concentram na investigação de uma corporeidade periférica, afro-diaspórica, ameríndia, plural e potente. A circulação pelos mais variados locais de zona urbana – vivenciando, em cada um deles, o público transeunte distinto – trata-se de um princípio do grupo, pois o espetáculo é fomentador da pesquisa continuada do grupo, que busca encontrar na heterogeneidade social, étnica e cultural estímulo para a composição.

Ficha técnica
Direção: Douglas Iesus
Coreografia e cenografia: Fragmento Urbano
Figurino: Denise Guilherme e Fragmento Urbano
Sonoplastia: Diego Castro
Elenco: Anelise Mayumi, Douglas Iesus, Juliana Sanso, Luan Afonso de Assis, Tiago Silva

Plataforma Rebanho
27/02 A 02/03 às 18h e 03/3 às 14h | 16 anos | Grátis

A plataforma de criação “Rebanho” é um espaço destinado a experimentação, desenvolvimento e demonstração de criações de processos individuais de artistas, a partir da vivência da aplicação dos procedimentos presentes na estrutura da pesquisa de linguagem A DANÇA DA INDIGNAÇÃO, estruturada pela Cia Sansacroma.

Cada um dos participantes poderá explorar situações, reflexos e contaminações diversas por meio do processo de encontro com o seu corpo indignado; e poderá refletir e experienciar sobre essa poética, que passa por estímulos e vivências pessoais, afeta seu estado cênico, criando uma intersecção entre arte e vida.

O nome Rebanho refere-se à pesquisa baseada no devir animal, onde foi pesquisado o arquétipo do Búfalo, animal de forte potência e significados voltados à coletividade, à força e à ancestralidade.

Mostra de Processos – 1° Fórum de Criação Convivial
01/3 às 21h | 14 anos | Grátis

Artistas independentes, de várias regiões e periferias, compartilham seus processos, dentro da metodologia de criação e da linha de pesquisa da Cia Sansacroma. O encontro compartilha as estratégias de aproximar esses artistas à metodologia que permeia as criações artísticas-politicas e sociais enquanto (re)existência no cenário da dança negra paulistana. O desejo comum a todxs: gerar energia vital para combatermos os medos, as ameaças, as invisibilidades e os silenciamentos com danças urgentes, furiosas e indignadas.

Com artistas oriundos das formativas da Cia Sansacroma.

Crédito da foto: Rodrigo Kees | Cena de Gbe

Serviço

Projeto Fricções
De 21 de fevereiro até 01 de março de 2013
Local: Sesc Ipiranga
R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo/SP
Informações: (11) 3340-2000 | https://www.sescsp.org.br/programacao/143354_FRICCOES#/content=programacao

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