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Mostra dos Residentes do CRDSP chega à 5ª edição

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Foto: Vanessa Moraes | Cena de Tentação de ser muito feliz, da Terceira Categoria

De hoje até 16 de dezembro, acontece em São Paulo a 5ª Mostra dos Residentes do Centro de Referência da Dança. Construção coletiva entre o CRD, 67 núcleos participantes e os professores e alunos dos 12 cursos dos ciclos de aulas técnicas, num total de 80 ações artísticas, a Mostra, desta vez, foi expandida para outros quatro espaços da cidade, com a proposição “CRD Circula”, a partir da articulação dos próprios artistas: CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho (Priscila Paciência); Céu Heliopólis (Ricardo Neves), Centro Cultural Tendal da Lapa (Bárbara Freitas) e Estação de Trem Mauá (Coletivo Ana Maria Amarela).

Para além das apresentações dos trabalhos desenvolvidos durante o ano dentro desse espaço em que os artistas da dança definiram e constituíram como seu território, o desejo que permeia a Mostra é também o de que mais pessoas tenham acesso à produção de dança e seus desdobramentos e que a cidade conheça, reconheça e se aproprie desse patrimônio público, que vem sendo gestado num modo de parceria pioneira entre a Secretaria Municipal de Cultura e a Cooperativa Paulista de Dança.

Programação diversificada

Apresentações cênicas, intervenções urbanas, compartilhamento de processos, JAMs, oficinas, debates, sessões de videodança e outras ações coletivas entre os residentes e seus convidados compõem a extensa programação, que se distribui em vários horários, durante os 16 dias continuamente.

Hoje (1/12), dia da abertura, às 18h, o Avoa! Núcleo Artístico apresenta o experimento coreográfico “Deslocado”, ação coletiva constituída de experiências em ações pesquisadas no centro histórico de São Paulo, que agora desloca-se da rua para a sala cênica, carregando questões que dizem respeito ao espaço, às relações que se estabelecem e ao jogo coreográfico.

“Yebo”, espetáculo do Grupo Gumboot Dance Brasil, que aborda a exploração, tanto das minas como dos sete povos levados para extração de ouro e carvão da África do Sul do século XIX, e que criaram um dialeto sonoro a partir das batidas das botas de borracha que calçavam, é o espetáculo do dia 5 (2ª feira), às 19h.

Na quinta-feira, dia 8, os destaques ficam para a intervenção urbana inspirada no universo poético de Manoel de Barros, “Nadifúndio”, da Outro Outra Cia de Dança, que acontece às 16h, no Vale do Anhangabau; e para “Cartas à casa de Pó”, espetáculo da Dentre Nós, que relaciona a personalidade dos intérpretes às personagens da obra “A casa de Bernarda Alba”, do escritor espanhol Federico García Lorca, às 19h.

O Avoa Núcleo Artístico retorna no dia 9 (6ª feira), desta vez com “Ulltrapássaros”, às 16h, no Largo São Bento. A intervenção urbana integra uma série de ações que tem como ponto de partida o corpo em diálogo com a natureza urbana do centro de São Paulo e com a história da cidade presente nas brechas, concretas e simbólicas. A partir das 17h, as pessoas que vierem para as oficinas, espetáculos ou o “Laboratório Coreográfico Manuseio do Gesto”, que reúne vários artistas em torno da relação poética entre gesto, palavra e imagem, sob a coordenação de Camila Venturelli, serão recepcionadas pela instalação coreográfica “Caixinha de Música ou Tentativa Contra a Ansiedade”, de Maria Basulto. Às 18h30, na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao CRD, acontece outra intervenção urbana: “Sem Nome/Inominada”, de Mauricio Brugnolo e Alexandre Gnipper, que será reapresentada no sábado e no domingo (10 e 11), no mesmo horário e local.

Segunda semana

No dia 13 (3ª feira), acontecem outras duas ações baseadas na troca e integração de vários artistas: às 10h, começa “Entre Escritas e Danças”, experimento cênico proposto por Bia Rangel, a partir do encontro entre escrita, voz e corpos que se colocam em escuta, improvisam e transcriam peças advindas das grafias das criações uns dos outros; e às 14h, a ocupação “Zona de trabalho – Organizmos para os Acidentes”, onde cinco artistas – Aline Brasil, Djalma Moura, Monica Galvão, Nina Giovelli e Pedro Galiza – propõem-se a quatro dias consecutivos de encontro para estabelecer, durante quatro horas seguidas, uma ”Zona de Trabalho”, com performances que se relacionam a espaços do Centro de Referência da Dança. Às 19h, a Profa. Marinê de Souza Pereira (UFABC) é a convidada central para a conferência “Sobre a cidadania cultural como política pública”.

Na quarta, 14, às 18h, Juliana Melhado apresenta, às 18h, “I can feel your power! [Eu posso sentir o seu poder!]”, uma plataforma de criação onde a artista performa feminilidades para refletir sobre o que se projeta na construção social de gênero. Ela reapresenta o trabalho na quinta (15). Na Sala Cênica, às 19h, a bailarina Maíra Alves e os músicos Gustavo Bonin e Gustavo Nunes (Coletivo Capim Novo) executam três peças de “Conversas de corpos e sons: Moldura I e Moldura II, compostas por Gustavo Bonin, que proporcionam corporeidade aos instrumentistas; e Oócitos do Barroco, desenvolvida a partir da oficina de Dança Barroca que Béatrice Massin ministrou no CRDSP. Na saída da apresentação, o público se depara com os performers do Coletivo Sereias em deslocamento pelos espaços do CRD, com o experimento cênico “Bololô” (rede de corda emaranhada). Às 20h, Ilana Elkis e Gabriel Tolgyesi, arriscam “Ação 2_Tilte” performance que se ocupa de um corpo deslocado, distorcido, sempre em busca de adequação.

No dia 15, além das reapresentações da Ocupação Zona de Trabalho (14h às 18h) e “I can feel your power!” (18h), a Nano Companhia faz, às 14h30, o ensaio aberto de “Cupcake”, que investiga as relações humanas e o embate que as diferenças provocam, partindo do imaginário infantil e dos primeiros desenhos animados. Às 19h, Calu Zabel estreia o solo “Axexê da Bailarina” (ou bailarina morta), na Sala Cênica. O trabalho desenvolve uma mitologia pessoal sobre o Axexê (ritual fúnebre do Candomblé) enquanto potência para a criação de uma dança.

No último dia da Mostra, o Avoa Nucleo Artístico volta com mais uma intervenção-percurso urbana, às 16h:“Micro-resistências ou Pequena dança para crescer nos vãos”, que começa na Rua São Bento e vai até a Praça Antônio Prado, e tem como referencial poético plantas que brotam em fachadas, crescendo em meio às adversidades, afirmando uma potência de transformação e ressignificação. Às 19h, a NaCia Odete Dança faz ensaio aberto de dois trabalhos: “Risco”, dança-performance sobre espaço criativo e insistências; e “Linha 4”, inspirada na movimentação caótica de pessoas que circulam pela linha amarela do metrô de São Paulo. A Mostra encerra às 20h, com “Filosofia do Ralo”, de Cadu Ribeiro, intervenção corporal que tem como poética o romance filosófico “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde.

CRD Circula

Com o desejo de descentralizar a Mostra dos Residentes do CRD, os próprios artistas formaram frentes de articulação em quatro espaços distantes do centro: CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, em Parelheiros; Céu Heliopólis; Centro Cultural Tendal da Lapa e Estação de Trem Mauá.

No CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, as ações começam às 10h, do dia 3 (sábado) e vão até às 15h, com as oficinas “Simbologia Afro-Brasileira”, vivência proposta por Priscila Paciência e Rafaela Amaral ; e “Contato-Improvisação e BCM”, com Luciana Hoppe; a intervenção urbana “O que restou do branco, do Coletivo Ana Maria Amarela.

No domingo (4/12), às 14h30, o CEU Heliópolis abriga a Performance “Relation X”, dirigida por Ricardo Neves, um conjunto de ações no corpo que vão acontecer em diversos espaços do local.

O Centro Cultural Tendal da Lapa reservou a segunda-feira (dia 12), das 16 às 20h, para receber a Mostra. A partir das 16h e até às 20h, serão compartilhados os processos de criação “Pras cabeças”, de Barbara Freitas e Camila Midori, inspirada no mito yoruba que conta como as pessoas escolhem suas cabeças no Orun (céu) antes de nascer no Ayê (terra); “Das Gamelas”, solo de Dalila D’Cruz, que fala da mulher a partir do processo de transformação da mandioca em alvo amido; “Tentação de ser muito feliz”, da Terceira Categoria, baseado no forró e nas danças populares.

No mesmo dia, às 16h, o Coletivo Ana Maria Amarela leva as questões de gênero e de empoderamento das lutas LGBTQs presentes na performance “O que restou do branco” para a Estação de Trem de Mauá.

Cinema e pipoca

Dia 7 (4ª feira), a partir das 15h, acontece no CRD a Sessão Pipoca com a projeção de dois vídeo-dança: “Jet Lagged”, dos artistas Danilo Pêra e Gustavo Pêra, sobre a “Ocupação 24 Horas Obra-Procedimento”, realizada pelo Núcleo Mirada, na Casa Tombada; e “Micro-resistências ou Pequena Dança para crescer nos vãos”, criação do Avoa! Núcleo Artístico, que traz o fluxo de protagonistas anônimos que revelam uma São Paulo que existe na diversidade e adversidade. A vídeo-dança será apresentada também no Teldal da Lapa.

Outras duas sessões de cinema acontecem no CRD: o documentário “Encruzilhada”, resultado do processo de criação do espetáculo de mesmo nome, da Cia Fragmento Urbano, no dia 14, às 18h, seguido de debate sobre a produção contemporânea em dança a partir de uma leitura micropolítica de proposições coreocartográficas proposta pela DAAFI; e no dia 16, às 18h30, a videodança Intervenção [Entre Elas], a partir de ação performática do coletivo que reflete sobre questões relativas aos padrões de comportamento da mulher nos espaços públicos.

Toda a programação da Mostra é gratuita.

Acompanhe a programação completa no site crdsp.com.br

SERVIÇO

5ª Mostra dos Residentes do CRD
De 01 a 16 de dezembro de 2016
Ingressos: Entrada gratuita para todas as ações

Locais:

Centro de Referência da Dança de São Paulo
Baixos do Viaduto do Chjá, s/nº (ao lado do Theatro Municipal) – Centro – São Paulo/SP
Informações: (11) 3214-3249

CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho
R. José Pedro de Borba, 20 – Jardim Novo Parelheiros – São Paulo/SP

Céu Heliopólis
Estr. das Lágrimas, 2385 – São João Climaco, São Paulo/SP
Informações: 2083-2203

Centro Cultural Tendal da Lapa
R. Constança, 72 – Lapa, São Paulo/SP
Informações: 3862-1837

Mauá – Estação de Trem
Rua Rio Branco, s/n – Matriz – Mauá/SP