Mariana Muniz leva “D’Existir” para Suzano e Santana de Parnaíba

d_existir-Mariana Muniz-SantanadeParnaiba

Em intensa turnê de seu novo trabalho pelo interior paulista, a bailarina, atriz e diretora Mariana Muniz leva “D’Existir”, solo em dança-teatro com referência poética no texto “Mal Visto Mal Dito”, de Samuel Beckett, este fim de semana para Suzano (dia 18/4, sábado), e Santana de Parnaíba (dia 19/4, domingo). As apresentações fazem parte de projeto contemplado pelo Programa de Ação Cultural – ProAc/2014, da Secretaria de Estado da Cultura, para produção inédita e temporada de Dança.

Viagem imaginária pelo tempo-espaço de Beckett, impulsionada pelos pensamentos, gestos e movimentos de um corpo que se questiona e se revê em suas trajetórias, “D’Existir” traz uma velha artista andarilha, que se vê às voltas com uma série de questionamentos sobre o sentido de seus movimentos. O trabalho nasceu do desejo de revisitar, sob uma ótica diferente, outro solo de teatro-dança interpretado por Mariana: “Speranza! Dona Esperança”, dirigido por José Possi Neto e realizado com apoio dos Prêmios Funarte Klauss Vianna e ProAc 2008/09.

Para montagem de um trabalho cênico sobre o universo da morte a partir de suas experiências com o tema, da personagem Esperança e da leitura do texto de Beckett (além de outros autores como Grotowsky e Schopenhauer), Mariana se deixou seduzir pela ideia da finitude como necessidade advinda da consciência de que somos natureza e mundo e pela possibilidade de traduzir sensorial, cinética e cenicamente o potencial e o medo que essa palavra produz. “Que procedimentos artísticos se tornam concretos com o mergulho na consciência de minha mortalidade?”, indaga.

Ao discutir as imagens de seu corpo como representação mental em suas relações com o mundo de aprendizagens e vivências, e de que forma o tempo e a velhice forjam um corpo de experiências vivas e intensas, Mariana Muniz constrói, em “D’Existir”, uma dramaturgia que sustenta uma confusão voluntária entre jogo ficcional, sua memória de artista e a articulação precisa dos gestos e paragens.

Ainda que não se trate de um projeto cênico coletivo, a poética de “D’Existir” dá continuidade ao processo de investigação da Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança, que se debruça sobre os limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas, dramatúrgicas, visuais e performáticas. “O que me alimenta é o diálogo, a relação possível e profícua de interpenetração entre os saberes da dança e do teatro e as questões advindas desse diálogo. Pensar as artes cênicas nesta intersecção nos permite lançar mão da potência expressiva do gesto com um olhar diferenciado e sempre renovado”, acredita Mariana Muniz.

Durante o processo de criação, Clara Carvalho, atriz carioca radicada em São Paulo, que também iniciou sua carreira como bailarina no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, atuou como “provocadora convidada”, trazendo propostas para desestabilização dos apoios corporais e cênicos. Eduardo Tolentino de Araújo, parceiro de Mariana Muniz em outras duas montagens teatrais – “A Mais Forte”, de Strindberg, e “Berro”, de Tennessee Williams – responde pela supervisão geral; a assistência de direção é de Claudio Gimenez; Celso Nascimento compôs a trilha sonora original; Ricardo Bueno se responsabiliza pela iluminação; e Fabio Namatame assina o figurino.

Depois de Santana de Parnaíba, “D’Existir” viaja para Votorantim (25/4), onde encerra a temporada.

SINOPSE

“D’Existir”- Com referência poética no texto “Mal Visto Mal Dito”, de Samuel Beckett, o novo trabalho da bailarina e coreógrafa Mariana Muniz traz uma velha artista andarilha, que se vê às voltas com uma série de questionamentos sobre o sentido de seus movimentos. A partir de uma visão crítica e construtiva da sua história na dança e no teatro, Mariana Muniz mergulha nas imagens e dinâmicas interiores, para falar da morte, da velhice e da transformação do corpo em contato com o tempo, construindo uma dramaturgia que sustenta uma voluntária confusão entre jogo ficcional, sua memória de artista e a articulação precisa dos gestos e paragens.

SERVIÇO

“D’Existir”
Cia. Mariana Muniz
Dia 18 de abril de 2015
Sábado, 20h
Local: Espaço Contadores de Mentira
Av. Major Pinheiro Frois, 530 – Parque Maria Helena – Suzano/SP
Informações: 11 2678.9208
Classificação indicativa: livre.
Duração: 50 minutos.
Entrada: GRÁTIS.

Dia 19 de abril de 2015
Domingo, 20h
Local: Cine Teatro Coronel Raymundo
Rua Suzana Dias, 300 – Centro Histórico – Santana de Parnaíba/SP
Classificação indicativa: livre.
Duração: 50 minutos.
Entrada: Grátis.