Cia Oito Nova Dança circula com o espetáculo JURUÁ por São Paulo

Desde 2010, o universo indígena vem sendo pesquisado pela Cia Oito Nova Dança. Dessa investigação, um dos resultados é o espetáculo JURUÁ, que estreou em agosto no SESC Pompéia e, agora, circula pela cidade com apresentações gratuitas. Além do espetáculo, o grupo exibe, sempre uma hora antes, o ensino audiovisual Esquiva, que traz um registro de boa parte do processo e investigação para o atual trabalho e, após JURUÁ, o grupo bate um papo com o público.

O espetáculo passa pela Vila Itororó de 13 a 15 de setembro, às 16 horas; CCJabaquara, de 20 a 22 de setembro, às 19 horas; 29 e 30 de setembro, no Tendal da Lapa (sábado, às 20 horas, domingo, às 16h30 e 19h30; e a circulação se encerra no Teatro Flávio Império, de 5 a 7 de outubro, sexta e sábado, às 20 horas, domingo, às 19 horas.

A montagem tem concepção e direção geral de Lu Favoreto, que também está em cena, dançando, cantando e tocando ao lado dos intérpretes-criadores Eros Valério, Gabriel Küster, Gisele Calazans, Marcela Páez, Raoni Garcia, Roberto Alencar e Andrea Drigo, que assina a direção musical e executa a trilha ao vivo no espetáculo. JURUÁ faz parte do projeto ESQUIVAS – Perspectivas de um corpo em devir, e foi contemplado pela 23ª Edição do Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

Proposto pela Cia Oito Nova Dança, o projeto objetiva proporcionar uma aproximação e reflexão do público em relação à presença Guarani em aldeias localizadas na cidade.

O processo de criação do espetáculo partiu das rodas de xondaro, dança matriz de treinamento corporal e musical muito presente nas aldeias Guarani. Ela converge luta, dança e música. É nela que os guardiões Guarani se preparam para enfentamentos em que o principal movimento é a esquiva, de modo a não se deixarem capturar pelo inimigo. “O xondaro tem um aspecto muito importante na vida desse povo. É interessante ver que ele concentra estética, espiritualidade e política como se fosse uma só coisa. Observar o ritual por si só já é transformador para nós”, explica Lu Favoreto.

Criação colaborativa

Apesar de Lu Favoreto assinar a concepção e direção geral, o projeto de criação de JURUÁ é colaborativo. Os intérpretes-criadores partiram da Intervenção urbana ESQUIVA, criada em 2016, que se aproxima dos procedimentos criativos da performance, para ocupar as ruas, praças e espaços públicos. A partir da mesma matéria criativa, o novo projeto nasceu do desejo de friccionar os procedimentos para a criação de uma Intervenção urbana com os passos necessários para a criação de um trabalho para palco. “A Intervenção urbana ESQUIVA e suas ocupações trouxeram uma série de materiais que deram início a um novo processo de construção, passando por escolhas e lapidação do grupo. Na primeira etapa do processo criativo do espetáculo, laboratórios investigativos de matrizes e temas corporais nos indicaram uma dramaturgia física e sonora que, pouco a pouco, foi sendo experimentada e elaborada. Gosto de pensar no processo criativo como uma deglutição desta matéria criativa de base”, conta a diretora.

JURUÁ finaliza uma trilogia que vem se desdobrando desde 2012, com a criação de XAPIRI XAPIRIPË, lá onde a gente dançava sobre espelhos, que teve a direção cênica de Cibele Forjaz. A pesquisa de campo, procedimento criativo da cia desde sua formação, contou com a orientação antropológica de Valéria Macedo, com imersões e encontros em diferentes aldeias na capital e no litoral de São Paulo: Rio Silveira, Ytu, Pyau, Itaendy, Tenonde Porã, Krukutu, Kalipety e Yrexakã.

Todas essas vivências trouxeram imagens e reflexões que ajudam a contar as experiências do grupo ao longo do processo. “No espetáculo, expomos ao público como o contato com o universo Guarani trouxe aprendizados, afetos e transformações, por isso nos colocamos como juruá (termo utilizado pelos Guarani para denominar o não-indígena), apesar da empatia e do desejo de aproximação”, define Lu Favoreto.

Trilha sonora

Andrea Drigo realiza um trabalho didático de construção vocal e sonora há cerca de 20 anos. Ela aplica esse processo com a Cia Oito Nova Dança desde 2003. Esta linguagem sintetiza o rigor do canto “convencional” e a liberdade da pesquisa dentro de uma abordagem energética da experiência sonora. A voz é vivenciada como veículo de refinamento artístico e sensorial, aguçando a sensibilidade auditiva e poética do indivíduo por meio da investigação da voz, das sonoridades, das palavras e do canto.

Em JURUÁ, Andrea também está em cena e executa a trilha sonora do espetáculo ao vivo, junto aos intérpretes-criadores, uma constante na parceria que tem feito com a Cia Oito Nova Dança ao longo dos últimos quinze anos.

A trilha do espetáculo é toda eletroacústica e foi baseada numa música que Andrea ouviu na pesquisa de campo feita na aldeia Guarani Rio Silveira. “A montagem mostra a presença Guarani na cidade e a eletroacústica foi uma maneira que encontrei de mostrar o encontro entre a cultura indígena com o urbano. Compus uma célula que guia toda as frequências sonoras, que vão ganhando camadas ou abrindo janelas para novos horizontes ao longo da apresentação. Outro elemento muito forte que mostra a relação entre os Guarani e o urbano é o violão. Eles usam muito o violão, mas como um instrumento de percussão e nós trazemos isso para a cena também”, explica Andrea Drigo.

Drigo relembra que ela e Lu têm uma pesquisa conjunta na relação entre som e movimento, que tem continuidade em JURUÁ: “para a Cia, a música é essencial e serve não só para que os bailarinos dancem. O que nos interessa é o ponto de encontro entre essas duas linguagens. Criamos campos de frequência que compõem a cena junto à dança”.

Programação paralela

Antes das apresentações, será exibido também o Ensaio audiovisual ESQUIVA, registro realizado por Lucas Keese e Wera Alexandre (Guarani) e editado por Luísa Mandetta. Nele, é exposta a pesquisa de campo realizada pela Cia Oito Nova Dança na aldeia Guarani Kalipety em 2015, finalizada com a intervenção dos Guarani no Pátio do Colégio (SP) e a Intervenção urbana ESQUIVA, uma série de 11 ações realizadas em 2016 em pontos estratégicos da cidade de São Paulo.

Ficha Técnica

Concepção e direção geral: Lu Favoreto.
Direção musical: Andrea Drigo.
Criação e interpretação (Cia Oito Nova Dança e convidados): Andrea Drigo, Eros Valério, Gabriel Küster, Gisele Calazans, Lu Favoreto, Marcela Páez, Raoni Garcia e Roberto Alencar
Orientação antropológica e dramatúrgica: Valéria Macedo.
Figurino: Claudia Schapira
Criação e operação de luz: André Boll.
Técnico e operador de som: Renato Garcia
Móbile: João Rivera.
Registro fotográfico: Gustavo Saulle.
Criação gráfica e Registro audiovisual: Felipe Teixeira.
Assistente de produção: Leticia Vaz.
Produção geral: Bianca Dorini.

Crédito da foto: Felipe Teixeira

Serviço

JURUÁ
Cia Oito Nova Dança
De 13 a 15 de setembro de 2018
De quinta a sábado, às 16h
Local: Vila Itororó
R. Pedroso, 238 – Bela Vista, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis
Duração: 34 minutos
Classificação: Livre

JURUÁ
Cia Oito Nova Dança
De 20 a 22 de setembro de 2018
De quinta a sábado, às 19h
Local: CC Jabaquara
R. Lussanvira, 178 – Vila Guarani, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis
Duração: 34 minutos
Classificação: Livre

JURUÁ
Cia Oito Nova Dança
Dias 29 e 30 de setembro de 2018
Sábado, às 20 horas, domingo, às 16h30 e 19h30
Local: Tendal da Lapa
R. Constança, 72 – Lapa, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis
Duração: 34 minutos
Classificação: Livre

JURUÁ
Cia Oito Nova Dança
De 05 a 07 de outubro de 2018
Sexta e sábado, às 20h, domingo, às 19h
Local: Teatro Flávio Império
R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaiba, São Paulo – SP
Ingresso: Grátis
Duração: 34 minutos
Classificação: Livre

Deixe uma resposta