Bent – O Canto Preso, da Cia Carne Agonizante, volta aos palcos após seis anos

BENT 3 Interpretes Alex Merino e Chico Silvino Foto FK net

“As pessoas sabiam como o III Reich tratava os judeus, ciganos e os presos políticos, mas muito pouco foi revelado sobre o tratamento dado aos homossexuais. Eles foram internados em campos de trabalho antes do inicio do genocídio dos judeus, ciganos, deficientes físicos e continuaram a serem presos mesmo após a queda do regime nazista e da libertação dos condenados nos campos de concentração”. Martin Sherman

A Cia Carne Agonizante, dirigida por Sandro Borelli, fará em 2014 a remontagem de obras importantes realizadas em décadas passadas. Assim foi com Estado Independente, criada em 2009 e remontada em abril desse ano. Agora chegou a vez de Bent – O Canto Preso, estreada em 1999, refeita em 2008 e agora volta ao palco do Kasulo Espaço de Arte no período de 17 de julho a 3 de agosto de 2014. Essa iniciativa conta com o apoio do programa Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, 15ª edição.

“Bent – O Canto Preso” é uma adaptação coreográfica do texto teatral “Bent”, de Martin Sherman, feita por Sandro Borelli. Tendo como temas centrais o preconceito e o nazismo, Bent conta a história de um homem perseguido e preso por ser homossexual. Para amenizar seus horrores, ele se faz passar por judeu. Na prisão, conhece outro homem de quem torna – se grande amigo e amante.

No espetáculo, foi criada uma atmosfera de intenso contato físico, alternadas com momentos de extrema fragilidade. Os dois personagens masculinos (Max e Horst) estão inseridos em um contexto atual, com o objetivo de ampliar a discussão sobre territórios e fronteiras, liberdade e opressão. Duas figuras femininas, irreais no contexto da trama, integram este universo, metaforicamente separadas desta “realidade”, encarnando a “Mãe Pátria”, que gera e expõe seus filhos ao abandono.

Cia Carne Agonizante

Companhia de dança independente que desenvolve pesquisas e criações desde 1997 tendo em seu repertório 21 peças coreográficas: “Eu em Ti” (2011), “Produto Perecível Laico” (2011), “Estado independente” (2009), “Artista da Fome” (2008), “Carne santa” (2007), “Kafka in off” (2007), “Carta ao pai” (2006), “Adeus deus” (2005), “Ponto final da última cena” (2004), as duas últimas, montadas originalmente para o Balé da Cidade de São Paulo, e incorporadas ao repertório da companhia em 2010, “Gárgulas” (2004), “O processo” (2003), “Kazulo” (2002), “A metamorfose” (2002), “Versos íntimos” (2002, composta para a Distrito Companhia de Dança e incorporada ao repertório em 2010), “O abutre” (2003), “Jardim de tântalo” (2002/2008), “33 – O eu e o outro” (2001), “Senhor dos anjos” (2001/2009), “Bent – o canto preso” (1999/2008), “Solidão proclamada” (1998), e “Ifá – se querem gritar para o mundo”(1997).

O desejo de questionar a existência humana, suas contradições e incertezas, nutre o trabalho da Cia. Borelli de Dança, que busca elementos na relação entre violência, prazer, leveza e dor para suas composições. Dentro dessa proposta, produz resultados estéticos em que a certeza é substituída pela recusa de soluções lineares, transformando o gesto e o movimento não em narrativas, mas em signos estruturalmente prisioneiros da ambiguidade.

O percurso da companhia é pautado pela dança-teatro. A teatralidade que o coreógrafo imprime ao trabalho do grupo tem a intenção de gerar e provocar reflexão na plateia e não deixá-la apenas na superfície do entretenimento banal. Os universos de Che Guevara, do poeta Augusto dos Anjos e de Franz Kafka constituem o arcabouço filosófico-intelectual da companhia.

Diversos espetáculos da companhia viajaram pelo Brasil, o que indica repercussão e relevância do trabalho: Festival Viva a Dança em Salvador (2013), Festival de Dança e Teatro Mova-se em Manaus (2010), Festival Internacional de Dança Contemporânea “Mesa Verde” em Porto Alegre (2009), Festival Internacional de Teatro em Belém do Pará (2008), Festival de Dança Contemporânea de Itajaí/SC (2005), Festival Internacional de Londrina (2004),Porto Alegre Em Cena em Porto Alegre (2001), Festival de Teatro de Curitiba (1999), “Brasil com S”, em Nova York (1998), Festival de Dança, Teatro e Música de Buenos Aires, Argentina (1999) e no Festival “Danza Nueva”, no Peru (2002).

FICHA TÉCNICA

Intérpretes: Amanda Santos, Alex Merino, Francisco Silvino e Rafael Carrion
Concepção, Coreografia e Direção: Sandro Borelli
Trilha Sonora: Sérgio Zurawsky
Luz: Sandro Borelli
Fotografia: FK
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Produção: Cristiane Klein

SERVIÇO

Bent – O Canto Preso
Cia Carne Agonizante
De 17 de Julho a 3 de Agosto de 2014
Quintas, Sextas e Sábados às 21h e Domingos às 20h.
Kasulo – Espaço de Cultura e Arte
Rua Sousa Lima, 300 – Barra Funda/SP
(Próximo da Estação Marechal Deodoro do Metrô)
Informações: (11) 3666.7238
Entrada Franca
Desaconselhável para menores de 16 anos
Capacidade: 35 Lugares

Fonte: Canal Aberto