Balé da Cidade de São Paulo celebra 50 anos com A Sagração da Primavera

Em sua montagem original, A Sagração da Primeira, obra que completa 105 anos em 2018, trata do ritual ao deus da primavera. A composição de Igor Stravinsky, coreografada por Vaslav Nijinsky, teve uma estreia tumultuada em 29 de maio de 1913 no Théâtre des Champs-Elysées, em Paris, quando desafiou as convenções estéticas devido a uma música ritmicamente complexa e uma coreografia provocante.

O Balé da Cidade de São Paulo celebra 50 anos de sua fundação com a releitura desta que é uma das mais importantes obras do século 20. Os espetáculos serão acompanhados pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

A produção que sobe ao palco do Municipal é uma criação de Ismael Ivo, diretor artístico da companhia, e se distancia do tradicional ao propor uma reflexão atual das questões ambientais. À frente da orquestra estará o maestro titular Roberto Minczuk. A cenografia é de Marcel Kaskeline, figurinos de Gabriele Frauendorf e iluminação de Marisa Bentivegna.

“Com esse espírito de renovação, propus ao Diretor do Balé da Cidade, Ismael Ivo que, no ano em que a companhia celebra uma data importante para a sua história, trouxesse ao palco do Theatro Municipal de São Paulo uma coreografia que tornou-se um marco e um desafio a que qualquer Corpo de Baile se coloca”, destaca o Secretário Municipal de Cultura, André Sturm.

Em todo o espetáculo, pétalas de rosa cairão. O fluxo se intensifica à medida que a Sagração se desenvolve. “A beleza que se introduz com uma suave chuva de pétalas, dá lugar a uma tempestade, num delírio incessante e incontrolável. Os bailarinos passam a ter muita dificuldade para dançar e o que era bonito, vira uma tortura. Funciona como uma metáfora e uma forma de alarme ao desequilíbrio das condições ambientais”, afirma Ismael Ivo.

No palco, os bailarinos executam uma coreografia que remete ao primitivo, mas ao mesmo tempo sensual, embalados pela música intensa, atonal e tribal de Stravinsky. Se, ao fim, algum sacrifício será feito, Ivo explica que o legado não será a vida que nasce da morte, como na Sagração tradicional, mas a demonstração de uma luta pela sobrevivência. “Por que uma mulher/homem tem de ser sacrificado, se todos temos apenas uma vida?”, indaga.

Durante o prólogo, bailarinos executam uma performance ao som de Fire and Frost Pattern, de Andreas Bick, por 15 minutos. Por meio da composição, é possível ouvir sons que remetem a atividades vulcânicas e degelo.

Em quase dois anos de gestão, esta é a primeira vez que o maestro Roberto Minczuk e Ismael Ivo trabalham juntos em um mesmo espetáculo. E esse primeiro encontro será para a execução de uma das peças musicais mais difíceis do repertório orquestral.

“Tivemos o Gustav Mahler que usou uma orquestração enorme, mas o Igor Stravinsky levou isso a uma outra dimensão, porque além da quantidade de músicos, tem a variedade de instrumentos que utiliza, como as tubas wagnerianas. Isso porque ele quis criar uma sonoridade ultra-agressiva, que soasse moderna, inovadora, jamais ouvida antes para fazer referência a um sacrifício”, explica Minczuk.

Os ingressos para A Sagração da Primavera custam de R$ 12 a R$ 80. A classificação indicativa é de 14 anos.

Balé da Cidade de São Paulo

O Balé da Cidade de São Paulo foi criado em 7 de Fevereiro de 1968, com o nome de Corpo de Baile Municipal. Inicialmente com a proposta de acompanhar as óperas do Theatro Municipal e se apresentar com obras do repertório clássico, teve Johnny Franklin como seu primeiro diretor artístico. Em 1974, sob a direção Antonio Carlos Cardoso, a companhia assumiu o perfil de dança contemporânea, que mantém até hoje. Em todos esses anos, o repertório se definiu com um celeiro de novos vocábulos de dança, inovação de movimento e criação de novas expressões artísticas.

Abrigou um corpo de solistas qualificados que com coreógrafos de alta qualidade marcaram uma época. Suas criações se destacam como inéditas e foram apresentadas com grande sucesso na plataforma nacional e internacional. A bem-sucedida carreira internacional da companhia teve início com a participação na Bienal de Dança de Lyon, França, em 1996. Desde então suas turnês europeias têm sido aclamadas tanto pela crítica especializada quanto pelo público de todos os grandes teatros onde se apresenta.

A longevidade do Balé da Cidade de São Paulo, o rigor e padrão técnico do elenco e equipe artística, atraem os mais importantes coreógrafos brasileiros e internacionais, interessados em criar obras para seus bailarinos e artistas. Atualmente, a companhia tem como diretor artístico o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo que também é fundador, diretor e conselheiro do Festival ImPulsTanz, de Viena.

Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo

Até o começo do século 20, as companhias líricas internacionais que se apresentavam no Theatro Municipal traziam da Europa seus instrumentistas e coros completos, mas a partir da década de 1920, uma orquestra profissional foi criada e passou a realizar apresentações esporádicas, tornando-se regular em 1939, sob o nome de Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal.

Uma década mais tarde, o conjunto passou a se chamar Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, nome que foi oficializado em lei de 28 de dezembro de 1949 e que vigora ainda hoje. A história da Sinfônica Municipal se confunde com a da música orquestral em São Paulo, com participações memoráveis em eventos como a primeira Temporada Lírica Autônoma de São Paulo, com a soprano Bidú Sayão; a inauguração do Estádio do Pacaembu, em 1940; a reabertura de Theatro Municipal, em 1955, com a estreia da ópera Pedro Malazarte regida pelo compositor Camargo Guarnieri; e a apresentação nos Jogos Pan-Americanos de 1963 em São Paulo.

Estiveram à frente da orquestra os maestros Arturo de Angelis, Zacharias Autuori, Edoardo Guarnieri, Lion Kasniefski, Souza Lima, Eleazar de Carvalho, Armando Belardi e John Neschling.

Roberto Minczuk é o atual regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal, a OSM.

Ismael Ivo

É bailarino e coreógrafo. Dirigiu por oito anos o setor Dança na Bienal de Veneza e foi diretor e chefe de coreografia no Theatro Nacional Alemão. Fundador, diretor e conselheiro artístico do Festival ImPulsTanz, de Viena. Diretor e criador do projeto Biblioteca do Corpo. Atuou também como professor convidado da Max Reinhardt Seminar, na Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena, e como Diretor Artístico do Prêmio Roma de Coreografia Contemporânea. No Brasil, é diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo e também exerce a função de Curador Artístico do Projeto Qualificação em Dança, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Roberto Minczuk

Atualmente maestro titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e maestro titular da Filarmônica de Novo México nos Estados Unidos, Minczuk também é o maestro laureado da Filarmônica de Calgary e maestro emérito da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Foi diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e do Festival Internacional de Campos do Jordão. Maestro associado da Filarmônica de Nova York, na qual trabalhou por muitos anos com Kurt Masur e Lorin Maazel. Regeu mais de cem orquestras internacionais, entre elas as das Ópera Nacional de Lyon, Ópera de Cincinnati, Ópera de Israel, filarmônicas de Nova York, Israel, Tóquio, Londres, Helsinque, Oslo, Los Angeles, as sinfônicas de São Francisco, Montreal, Toronto, Dallas, bbc de Londres, Nacional da Rádio France, Nacional da Bélgica, Nacional da Hungria, da Nova Zelândia.

Entre os solistas que já regeu destacam-se Plácido Domingo, Kiri Te Kanawa, Kathleen Battle, Sumi Jo, Marcelo Alvares, Ben Heppner, Joshua Bell, Pinchas Zukerman, Gil Shaham.

Entre os títulos que já regeu estão Tosca, La Bohème, Don Giovanni, Mozart e Salieri, A Danação de Fausto, Édipo Rei, Fidelio, L’Infildetá Dilusa, A Queda da Casa de Usher, Os Sete Pecados Capitais, O Voo de Lindbergh. Vencedor do Grammy Latino e nomeado ao Grammy Americano em 2004 com Jobim Sinfônico. Recebeu também o Prêmio Emmy junto ao New York City Ballet.

Ficha Técnica

Balé da Cidade de São Paulo
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Roberto Minczuk – Regência
Ismael Ivo e Marcel Kaskeline – Ideia e conceito geral
Ismael Ivo – Coreografia
Andreas Bick – Música do prólogo
Igor Stravinsky – Música
Marcel Kaskeline – Espaço cênico
Marisa Bentivegna – Desenho de luz
Gabriele Frauendorf – Figurino
Bailarinos – Alyne Mach, Ana Beatriz Nunes, Antônio Adilson Jr., Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Carolina Martinelli, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Grecia Catarina, Harrison Gavlar, Igor Vieira, Isabela Maylart, Jessica Fadul, Leonardo Hoehne Polato, Leonardo Muniz, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Márcio Filho, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Uátila Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam, Yasser Díaz

Crédito da foto: Fabiana Sting

Serviço

A Sagração da Primavera
Balé da Cidade de São Paulo
De 15 e 16, 18 e 19, 21 e 22 de setembro de 2018
Terça a sábado, às 20h, domingo, às 18h
Local: Theatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo, s/nº – São Paulo, SP
Ingressos: de R$ 12,00 a R$ 80
Vendas on-line: Eventim
Duração: aprox. 60 min.
Classificação Indicativa: 14 anos
Horário da bilheteria: De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, sábados e domingos, das 10h às 17h.

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