A Um Passo da Aurora, com Mariana Muniz e Regina Vaz, tem novas sessões no CRD e no Espaço Cia. da Revista

Crédito da foto: Cláudio Gimenez

Com 19 anos de trajetória, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança mergulha na poética do músico, maestro e múltiplo artista Guilherme Vaz (1948-2018) com A Um Passo da Aurora, das intérpretes-criadoras Mariana Muniz e Regina Vaz. O espetáculo de dança contemporânea tem novas apresentações no Centro de Referência da Dança – CRD, dias 20, 21, 22 e 23 de novembro; e no Espaço Cia da Revista, dias 28, 29 e 30 de novembro e 01 e 02 de dezembro.

Ao longo de sua trajetória, a companhia vem desenvolvendo trabalhos voltados para a pesquisa das relações entre palavra e movimento, poesia/arte e dança. O grupo realizou trabalhos solos de teatro-dança, nos quais a poesia de artistas como Florbela Espanca – Dantea, Ferreira Gullar – Túfuns, Arnaldo Antunes – Rimas no Corpo, Fernando Pessoa – Fados e outros Afins, dentre outros, serviram de referência para o exercício de múltiplas qualidades de trânsito entre a palavra e o movimento e, cuja excelência, atesta os muitos prêmios recebidos.

Depois de uma bem-sucedida imersão no universo dos Fados, com “Fados e outros Afins”, último trabalho da companhia, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança dá continuidade ao processo de investigação das relações entre pensamento, corpo e gestos, em dança-teatro. O espetáculo foi contemplado pelo 25º Edital de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

Mariana Muniz, que assina a direção do trabalho, e Regina Vaz – irmã do artista Guilherme Vaz, e responsável pela dramaturgia de “A Um Passo da Aurora”-, se reencontram, em cena, depois de terem trabalhado juntas, no Grupo Coringa (1977-1985), durante dez anos, sob a direção da coreógrafa uruguaia, Graciela Figueroa.

“Com esse trabalho damos continuidade às nossas pesquisas e criações em dança contemporânea, e prestamos uma justa homenagem ao múltiplo artista Guilherme Vaz”, afirma Mariana Muniz.

Guilherme Vaz, nascido em Araguari, Minas Gerias, durante vinte anos, dedicou-se a investigar as raízes culturais do povo brasileiro. Viveu entre os sertanejos do Centro-Oeste e os indígenas do Norte do nosso país, o que lhe permitiu a criação de uma obra singular, inventiva e profundamente brasileira.

Pioneiro da arte conceitual carioca e criador da Unidade Experimental do MAM-RJ- junto com Cildo Meireles, Luiz Alphonsus e o crítico Frederico de Morais. Foi um dos responsáveis pela introdução da música concreta no cinema nacional. Compôs trilhas para filmes de Nelson Pereira dos Santos e Júlio Bressane, dentre outros.  Guilherme faleceu em 26 de abril de 2018, aos 70 anos, deixando um legado imensurável para a música brasileira.

Assim como nos trabalhos anteriores, em “A Um passo da Aurora” a ação cênica (com base na pesquisa das relações entre corpo, voz, música e sentidos simbólicos das linguagens da dança, do teatro e da música) nos conduz a uma ideia de dramaturgia ampliada. Dramaturgia como uma teia que engloba as ações físicas dos bailarinos (como o texto, a música se torna corpo em movimento), suas ações vocais (musicalidade no texto e com o texto), cenografia, iluminação, figurinos e a relação entre eles, os artistas, e todos os componentes da cena, inclusive o uso de recursos multimídia.

Para Mariana Muniz, na criação e composição do espetáculo o compromisso com o hibridismo de linguagens artísticas está a serviço da exploração dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas e dramatúrgicas, visuais e performáticas. “Pensar as artes cênicas nestas intersecções nos permite lançar mão da potência expressiva do gesto com um olhar diferenciado e sempre renovado”, explica.

O processo de criação de imagens visuais se corporifica através da escuta dos corpos, em contato com a sensação da “música corporal” e do imaginário do compositor Guilherme Vaz. Em algumas passagens do trabalho fica evidenciada a inspiração gestual nos trabalhos coreográficos de Nijinsky e Pina Baush para “A Sagração da Primavera” de Igor Stravisnky.

No movimento de exploração das sonoridades e conceitos que norteiam a obra de Guilherme Vaz, assume importância o gosto por determinadas passagens e composições musicais, certos timbres dos instrumentos, que acompanham a melodia, repetições e as ideias plásticas e cenográficas do artista. É o caso das composições “La Virgen” e “Fronteira Ocidental” que integram a trilha sonora sob a responsabilidade do maestro Lívio Tragtenberg, que já regeu algumas obras do compositor.

“Nós nos posicionamos na direção de um resgate das raízes do pensamento sobre a brasilidade no fazer artístico, pois Guilherme Vaz participou ativamente de um dos períodos mais fortes da crítica de arte no Brasil: os anos neoconcretos. Ele pensava a própria obra e o mundo, discutindo e participando dos problemas da arte brasileira, rebelando-se contra a estagnação cultural dos anos 60 e propondo uma renovação de toda expressão artística no país, apontando-lhe possibilidades universais”, acrescenta Mariana Muniz.

“Uma das questões que me incomoda no construtivismo brasileiro é que tudo acontece distante da geometria indígena, distante dos sertões”, dizia Guilherme Vaz.

O projeto “A Um Passo da Aurora” contou com um programa educativo, com ações direcionadas à formação de público e à mediação do conteúdo do projeto. Foram realizadas oficinas contínuas de estudo de movimento com Mariana Muniz, além de workshops livres de criação musical para partituras gráficas (ministrada por Lívio Tragtenberg – maestro de renome no cenário cultural brasileiro e internacional, regente de duas obras de Guilherme Vaz, no final de 2017) e Eutonia com Cláudio Gimenez.

Realizaremos um bate-papo com o público, após cada uma das apresentações, a fim de, através do diálogo, falar sobre o processo de criação do trabalho apresentado e escutar as impressões dos espectadores.

“Se os ruídos não participam da linguagem, vamos continuar a fazer uma música de sala de visitas, porque o ruído é o quintal do mundo, o entorno, a floresta do mundo. Não é o som da escala temperada, criada por um código social, é o som em estado selvagem”.
(Guilherme Vaz)

Ficha Técnica

Direção geral: Mariana Muniz
Criadoras e Intérpretes: Mariana Muniz e Regina Vaz
Assistente de direção: Cláudio Gimenez
Trilha Sonora: Lívio Tragtenberg
Cenografia: David Schumaker
Dramaturgia: Regina Vaz
Figurinos e Iluminação: Kleber Montanheiro
Operação de luz: Fellipe Oliveira
Edição de Vídeos: Rafael Petri
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Designer Gráfico: Fábio Borges
Grupo de Estudos: Ana Mesquita, Ana Vitória Bella, Juliana Celentano e Raquel Franz
Apoio de Palco: Suzana Muniz
Assistente de Produção: Jota Rafaelli
Coordenação de Produção: MoviCena Produções
Agradecimentos: Guilherme Vaz (in memoriam) | Maria Lúcia Lee | Alberto Sebirop Gavião | Luciene e Filhos | Espaço Ghut | Joaquim Castro | Valdir Rivaben, Eliety Teixeira, Letícia Pinto e equipe da Oficina Cultural Oswald de Andrade | Sulla Andreato e equipe do Centro de Referência da Dança | Hugo Possolo | Cláudia Assef, Ingrid Soares e equipe da Galeria Olido | Talita Bretas | Igor Moura | Rita Tragtenberg | Graciela Figueiroa |
www.marianamuniz.com.br

Serviço

A Um Passo da Aurora
Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança
Dias 20, 21, 22 e 23 de novembro de 2019
Quarta a sábado, às 19h
Local: Centro de Referência da Dança – CRD
Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Centro, São Paulo – SP
Ingressos Gratuitos
Capacidade: 70 lugares

Dias 28, 29 e 30 de novembro e  01 e 02 de dezembro
Quinta, sexta, sábado e segunda – 20h, domingo, 19h
Local: Espaço Cia da Revista
Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo – SP
Ingressos: Gratuitos
Capacidade: 85 lugares

Deixe uma resposta